Tribuna de Imprensa-Rio de Janeiro-RJ
08 de Abr de 2002
A opção por alternativas econômicas de baixo impacto ambiental, feita pelo governo do Amapá em seu Programa de Desenvolvimento Sustentável (PDSA) agora tem uma vitrine para visitantes, num museu a céu aberto, construído em Macapá, capital do Estado.
O Museu Sacaca do Desenvolvimento Sustentável, inaugurado ontem, reproduz as casas de uma comunidade ribeirinha, separadas de casas de cidade por um igarapé, cheio de meandros, com peixes e plantas aquáticas, nas margens do qual há um sítio arqueológico demonstrativo e um orquidário com bromélias e orquídeas raras.
O museu começou a ser concebido há cinco anos e sua construção levou 18 meses, com investimentos de R$ 1,5 milhão, da Secretaria da Infra-Estrutura (Seinf). Ocupando uma área total de 21.500 metros quadrados, é vizinho e faz parte do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa), onde são pesquisados os fitoterápicos provenientes de plantas amazônicas.
O nome
Sacaca - homenageia um curandeiro, cujo apelido deriva de uma planta tradicionalmente usada para reduzir o colesterol. "É um museu interativo, que reproduz a vida amazônica, mostrando tanto sua biodiversidade como a diversidade cultural, dos castanheiros, seringueiros e de todas as etnias presentes no Amapá", explica o governador João Alberto Capiberibe (PSB).
"Também é um ponto de encontro do conhecimento científico com o saber político e a vida das populações tradicionais", completa ele. A expectativa é de que, além de retratar e divulgar o Amapá, o museu ajude a gerar iniciativas e negócios sustentáveis.
Dentro do complexo cenográfico do museu, peças de madeira, fibras naturais e pedra retratam a cultura, a história e o modo atual de vida de comunidades tradicionais, negras (quilombolas) e indígenas do Amapá e apresentam as alternativas de desenvolvimento sustentáveis, nas quais o Estado investe há oito anos.
A visita é acompanhada por guias locais e há uma sala de leitura com apresentações multimídia, em português, inglês e francês. Também existe um auditório de 200 lugares para shows e peças de teatro.
Na praça de alimentação, o visitante experimenta os biscoitos e azeite de castanha de Laranjal do Jari; sucos, sorvetes e doces de frutas amazônicas e outros produtos fabricados em cooperativas comunitárias, que antes viviam do extrativismo predatório.
A visita pode ser feita a pé, por trilhas, ou em canoas, pelo igarapé, onde também navega uma réplica do primeiro regatão do Amapá, chamado Índia do Brasil. Os regatões são barcos de comércio na Amazônia que levam mercadorias básicas até as comunidades mais distantes e muitas vezes as trocam por produtos florestais em vez de receber em dinheiro.
Na réplica, o porão abriga uma exposição cultural-histórica e o convés tem computadores conectados, via internet, com a comunidade do arquipélago de Bailique, no Oceano Atlântico, a cerca de 150 km a Nordeste de Macapá.
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