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Alunos descobrem cultura indígena

Correio do Sul - http://www.grupocorreiodosul.com.br
13 de Mai de 2014

Segundo o intelectual e crítico literário Edward Said, "Começar não é apenas um tipo de ação; é também um estado de espírito, uma atitude, uma consciência". O simples ato de 'começar', gerado em uma aula de geografia da Escola Municipal Professora Nair Alves Bratti, de Sombrio, levou os alunos da classe de aceleração a percorrer uma longa viagem pelo conhecimento em torno de vivências indígenas, passando por estudos sobre a herança alimentar e resultando em uma palestra sobre arqueologia, ministrada por universitários da Unesc na manhã desta segunda-feira.

"A ideia toda se originou quando fazíamos estudos sobre alimentos nativos de cada região brasileira. Daí em diante o projeto se tornou interdisciplinar", explica Rosemere Araújo, professora de Geografia.O objetivo inicial era mostrar aos seus 23 alunos que muitos dos alimentos hoje consumidos e que muitas vezes ligamos a cultura trazida por colonizadores europeus, na verdade são heranças das tribos indígenas que viveram nas Américas durante milhares de anos. "Quando falamos em polenta, por exemplo, logo lembramos dos italianos. Mas o milho era cultivado pelos índios. Ao chegarem aqui, não encontrando o trigo, os colonos tiveram que adaptar-se aos alimentos que dispunham, muitas vezes observando a alimentação dos povos indígenas", menciona a professora.

Depois, com o desenvolvimento das atividades também em outras disciplinas, veio a motivação para montar painéis em mosaico, utilizando azulejos, madeira e cola, a exemplo de outro projeto que ganhou grande destaque na escola em 2011, quando painéis descrevendo a cultura de Sombrio foram exibidos durante a 18ª edição do Açor, a festa da cultura açoriana.

Arte em azulejo

Sob coordenação da professora Cleimar Scheffer Ramos e com apoio da Secretaria Municipal de Educação, nove painéis em mosaico foram desenvolvidos, mostrando alguns dos principais alimentos que até hoje são consumidos pelas famílias sombriense e têm sua origem nos povos indígenas que habitavam não somente a região, mas praticamente toda o continente americano. "É o caso da mandioca, o milho, o tomate, a batata doce, a banana e tantos outros alimentos que muitas vezes achamos que foram introduzidos pelos colonizadores", cita Rosemere.

Para exibição dos resultados do projeto aos demais alunos do 6o ao 9o ano, um evento especial foi organizado. Cerca de 250 alunos foram reunidos no auditório da instituição de ensino e puderam participar de palestra ministrada pelos acadêmicos do curso de História da Unesc, Richard Ronconi e Diego Mozart, que explanaram sobre arqueologia e os estudos a respeito dos povos indígenas que habitaram tanto o litoral quanto as encostas da região.

Munidos de amostras de cerâmica, pontas de flechas e até um machado de pedra lascada, os palestrantes não tiveram problemas em atrair a atenção dos alunos para os dados históricos envolvendo desde os hábitos alimentares até os locais de moradia de tribos Guarani, Xokleng e outras que habitaram a região. "As tribos Guarani viveram no litoral de Santa Catarina por cerca de mil anos e os açorianos foram os que mais absorveram a sua cultura aqui na região", afirmaram, explicando alguns hábitos como o do consumo da mandioca.

Finalizando o dia especial, alunos, professores e convidados conheceram os nove painéis que foram instalados nas paredes do refeitório da escola, além de serem recepcionados com uma degustação de alguns dos alimentos mencionados ao longo do projeto.

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