A Crítica, Brasil, p. A7
03 de Dez de 2003
Almeida denuncia máfia na Funai
Ex-presidente da instituição se negou, em audiência, a revelar nomes para serem investigados pelo senado
0 ex-presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai) Eduardo Almeida confirmou ontem a existência do crime organizado na instituição. Ele reafirmou em depoimento na Subcomissão Permanente da Amazônia, no Senado, vinculada à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), que grupos organizados agem em favor de interesses de grupos econômicos, principalmente os ligados aos madeireiros e mineradores, e a desestabilizar o que chamou de "verdadeiro trabalho em defesa da manutenção da cultura, dos costumes e da história dos povos indígenas". A informação é da Agência Senado.
Indagado pelo senador Mozarildo Cavalcanti (PPS-RR), o ex-presidente da Funai, entretanto, se negou a citar os nomes das pessoas que, segundo ele, fazem parte da "máfia" que controlaria a instituição. Mozarildo considerou "uma leviandade" as acusações de Almeida já que, durante todo o depoimento, conforme observou, sequer concedeu uma única pista para que os membros da subcomissão pudessem iniciar uma apuração destinada a esclarecer as possíveis irregularidades.
DENÚNCIA
A audiência pública com Eduardo Almeida, que ocupou a presidência da Funai de fevereiro a julho deste ano, foi em virtude de ele ter afirmado, em depoimento a uma das comissões permanentes da Câmara dos Deputadas, que existiriam "máfias" dentro da fundação destinadas a favorecer setores econômicos. Os senadores Mozarildo Cavalcanti e João Capiberibe (PSB-AP) acharam as acusações graves, razão pela qual decidiram ouvir Eduardo Almeida.
0 ex-presidente da Funai denunciou também a presença do crime organizado dentro da áreas indígenas. Segundo ele, esse grupos atuam, principalmente, no tráfego de madeira e de armas. Almeida disse que a Polícia Federal e a Funai estão desaparelhadas para combater os criminosos.
O senador João Capiberibe voltou a afirmar que os povos indígenas continuam a receber um tratamento discriminatório e ofensivo com relação à cultura e aos seus costumes, enquanto Sibá Machado (PT-AC) pregou uma nova discussão do papel a ser desempenhado pela Funai na defesa da nações indígenas.
0 senador Valdir Raupp (PMDB-RO) disse que ser presidente da Funai "é tarefa das mais difíceis", enquanto Augusto Botelho (PDT-RR) estranhou que todas as reservas indígenas de Roraima estejam localizadas em áreas que abrigam reservas minerais.
Recentemente, na reserva dos Cintas Larga, onde há extração ilegal de diamantes, houve uma chacina. Quatro garimpeiros foram executados por nativos e o crime foi testemunhado por um quinto homem, que ficara escondido na mata e, dias depois, sofreu um atentado no quintal da casa dele, no Município de Espigão do Oeste, no Estado de Rondônia, por supostos membros da máfia dos diamantes. A vítima não morreu.
A Crítica, 03/12/2003, Brasil, p. A7
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