Folha de Boa Vista-Boa Vistas-RR
Autor: ELCIMAR FREITAS
04 de Jun de 2004
Para mostrar que continuam alertas quanto a homologação da reserva indígena Raposa/Serra do Sol, tuxauas da Aliança de Integração e Desenvolvimento das Comunidades Indígenas de Roraima (Alidcir) estão reunidos desde ontem na V Assembléia Geral Extraordinária. No encontro na comunidade São Jorge, a 60 quilômetros da cidade de Pacaraima estarão hoje as lideranças da Sociedade de Defesa dos Índios Unidos de Roraima (Sodiur), Associação dos Rios Kinô e Contigo e Monte Roraima (Arikon) também contrários à homologação contínua da reserva.
Na assembléia geral onde também está sendo discutido desenvolvimento sustentável das comunidades indígenas de Pacaraima, segundo o tuxaua Anísio Pedrosa, os indígenas apontarão os nomes de seis tuxauas da Alidcir para irem a Brasília tentar uma audiência com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva ou com o ministro José Dirceu, chefe da Casa Civil.
"Não estamos dormindo. Continuamos em alerta", disse Anísio, afirmando que a decisão da desembargadora Selene Maria de Almeida, do Tribunal Federal da 1ª Região, contra a homologação contínua dos 1,7 milhão de hectares da Raposa/Serra do Sol agradou. Mas ele diz estar ciente que a Fundação Nacional do Índio (Funai) e Conselho Indígena de Roraima (Cir) vão recorrer. "Eles querem homologação contínua", acrescentou.
BASTIDORES - Anísio Pedrosa esclareceu no encontro que será preciso os índios mandarem representantes a Brasília. "O Cir sempre tem pessoas deles andando pelos corredores do Congresso Nacional, fazendo bastidores. Precisamos também fazer o mesmo", alertou o tuxaua.
Pedrosa disse que assim que a comissão indicar os nomes dos seis tuxauas para irem a Brasília, a Alidcir começará a correr atrás das passagens. "Vamos nos empenhar junto aos nossos amigos para conseguirmos as passagens. Mas dessa vez nós iremos a Brasília", garantiu.
O tuxaua disse que os indígenas já não suportam mais esperar pela homologação de Raposa/Serra do Sol. "Tem pessoas querendo investir na região, mas com medo da homologação em área contínua, continuam esperando. Estamos vivendo em clima de tensão", frisou.
Pedrosa garantiu se necessário for radicalizar para que a decisão da homologação da reserva indígena saia, os indígenas estão dispostos a radicalizarem.
DESENVOLVIMENTO - No encontro na comunidade São Jorge, além das lideranças indígenas estiveram presentes autoridades do executivo, como a prefeita do município de Uiramutã, Florany Mota, que defende o desenvolvimento sustentável.
Florany disse aos indígenas que no Uiramutã vários projetos de desenvolvimento sustentável estão colaborando para o crescimento do município. "Para esse desenvolvimento é necessária a participação das comunidades", afirmou
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