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Aliança pela Água propõe plano de emergência para garantir abastecimento em SP

Rede Brail - http://www.redebrasilatual.com.br/ambiente
09 de Fev de 2015

Aliança pela Água propõe plano de emergência para garantir abastecimento em SP
Grupo de entidades da sociedade civil chama atenção para o risco de todos os reservatórios entrarem em colapso caso as chuvas não caiam dentro do esperado e o governo Alckmin não tome medidas necessárias

por Rodrigo Gomes, da RBA publicado 09/02/2015 17:45

São Paulo - A Aliança pela Água, rede formada por entidades da sociedade civil para debater e propor ações para enfrentar a falta de água em São Paulo, apresentou hoje (9) um "plano de emergência", com ações de curto e médio prazos para garantir o abastecimento de água da população e a sobrevivência dos mananciais da região metropolitana de São Paulo. "É inaceitável que os diversos níveis de governo e os vários setores econômicos ainda não tenham se unido para elaborar um abrangente plano de emergência a fim de mitigar os efeitos da crise e garantir o abastecimento de água para consumo humano", diz o documento.

As entidades lembram que a seca fora prevista em estudos e muitos foram os alertas para que se reduzisse a dependência do Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de aproximadamente 6,6 milhões de pessoas. "Porém, em vez de respeitar seus próprios critérios de gestão de risco - que constam de contratos e leis -, o governo do estado de São Paulo, via Sabesp, a Arsesp e a Secretaria de Recursos Hídricos, junto à inação do governo federal e das prefeituras, preferiu ignorar o padrão de alteração climática e seguir contando apenas com as chuvas", critica a Aliança.

A coordenadora da Aliança e porta-voz do grupo, Marússia Whately, concederá uma entrevista na noite desta segunda-feira, com objetivo de esclarecer melhor a ação da Aliança, transmitida pelo site Estúdio Fluxo, às 20h.

No documento ainda é ressaltado que se o governo de Geraldo Alckmin (PSDB) tivesse tomado medidas como o racionamento de água organizado e transparente, a instalação de sistemas de captação de água de chuva e uma campanha maciça de redução do consumo, logo nos primeiros indícios da crise, a situação agora não seria tão crítica. "A acentuada alteração climática foi agravada pela inação das lideranças políticas em assumir a dimensão do colapso", ressaltam.

A entidade propõe que seja criado imediatamente um comitê de gestão da oferta de água englobando prefeituras, Ministério Público, Defensoria Pública e organizações de defesa do consumidor, coordenado pela Secretaria Estadual de Saneamento e Recursos Hídricos, com objetivo de planejar medidas como redução de pressão, racionamento e rodízio de água, definindo cronograma e identificando alternativas para evitar cortes de água para serviços essenciais.

E que seja composta também uma força-tarefa da qual participem o governo federal - através da Agência Nacional de Águas (ANA), das Forças Armadas, do Ministério das Cidades, entre outros -, conselhos temáticos estaduais, universidades, movimentos sociais, organizações da sociedade civil (defesa do consumidor, meio ambiente, direitos humanos), representantes de setores econômicos e sindicatos. Esse grupo seria composto também pelas instituições propostas para o comitê de gestão da oferta de água.

A Aliança lembra ainda que boa parte das ações de redução de retirada de água do Sistema Cantareira se deu à custa de aumento na retirada de água de outros sistemas. No geral, a vazão foi reduzida de 69 metros cúbicos por segundo (m³/s) para 53,9 m³/s (22% de diminuição).

E faz um alerta preocupante: "O volume de água armazenado nas represas é suficiente para abastecimento por um período que pode variar de 60 dias a 120 dias, caso as chuvas sejam inferiores ou na média histórica. A adoção do racionamento pode prolongar a vida útil das represas por mais alguns meses, mas talvez não seja suficiente até o próximo período de chuvas".

Para as entidades, as obras anunciadas pelo governo Alckmin - como a transposição do rio Paraíba do Sul para o Sistema Cantareira, orçada em R$ 830 milhões - são pouco efetivas para mudar a situação e podem causar outros problemas. "Além de criar um potencial conflito com o Rio de Janeiro, a obra pode ser um fracasso, uma vez que a transposição de águas só poderá ser realizada com os reservatórios em situação normal, o que é muito improvável de acontecer no curto prazo."

A Aliança também reivindica a edição de boletins e comunicados oficiais diários e a criação de uma sala de situação para produção de cenários e de informações em tempo real sobre condições meteorológicas, situação dos mananciais, resultados obtidos com medidas de redução de consumo e qualidade da água.

Segundo as entidades, é urgente considerar que casos envolvendo escassez de água tendem a fomentar conflitos e violência, sobretudo em um quadro em que a informação prestada pelas autoridades têm sido incompletas e contraditórias. "O vácuo político alimenta o alarmismo e o pânico, dificultando ainda mais a garantia dos direitos e a saúde dos cidadãos nesta iminente situação de calamidade."

O grupo pede ainda que seja elaborada uma rede de apoio aos serviços essenciais - como hospitais, postos de saúde, creches, escolas, asilos, presídios. E que sejam definidos planos de tráfego para circulação de caminhões-pipa, realização de obras urgentes e reparos na rede de distribuição para minimizar vazamentos.

Já antecipando a possível alta nos preços de caminhões-pipa e galões de água mineral, a entidade quer que o comitê possa definir, limitar e fiscalizar valores cobrados pela indústria da água, com objetivo de controlar a qualidade, além de evitar abusos e especulação em meio à crise. E que sejam instaladas cisternas e caixas d'água, especialmente em bairros de baixa renda, nos moldes do projeto "um milhão de cisternas para o semiárido", do governo federal.

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