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Alga altera água de 4 milhões em SP

OESP, Metrópole, p. C1
19 de Set de 2008

Alga altera água de 4 milhões em SP
Fenômeno foi causado pelo período com pouca chuva e pelo despejo de esgoto, mas não prejudica o consumo

Eduardo Reina

Lavar as mãos, tomar banho, beber água ou um simples cafezinho virou um tormento para quase 4 milhões de moradores das regiões sul e leste de São Paulo. O arquiteto Fábio de Paula percebeu há alguns dias alteração no sabor e no cheiro da água que sai das torneiras de seu apartamento, na Bela Vista. "Achei que passaria logo, mas não. No escritório também havia o problema", explicou. O arquiteto trabalha na Alameda Joaquim Eugênio de Lima, a poucos quarteirões de sua casa, na região da Avenida Paulista.

O desconforto é recorrente. Basta chegar à época de estiagem e as algas proliferam "por causa do excesso de nutrientes nas águas" - ou melhor, esgoto. Em abril de 2004, situação semelhante ocorreu no abastecimento da Avenida Paulista e em parte da zona leste. Atualmente, o problema está localizado na Represa do Guarapiranga, segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), e não há prazo para que seja eliminado.

A alga é uma cianobactéria, que libera uma toxina chamada geosmina. No caso da Guarapiranga, informa a Sabesp, o nome correto é metilisoborneol, apelidada de MIB. É do tamanho de um minúsculo grão de areia e não faz mal à saúde. A água é segura para consumo. "O cheiro e o sabor aparecem após o tratamento dado com aplicação de carvão ativado em pó e permanganato de potássio", explicou o gerente da Unidade de Tratamento de Água da companhia, Márcio Savoia.

"Queria saber por que essa água tem gosto", afirmou o vendedor José Ricardo Freitas, que trabalha na Rua Almirante Marques Leão, na Bela Vista. "É muito ruim. Você lava o copo e continua esse cheiro acre. Até o café perdeu a graça."

De acordo com a Sabesp, a região da Bela Vista foi afetada porque houve um remanejamento entre os sistemas de abastecimento da capital paulista: a região recebeu água do Sistema Guarapiranga, enquanto Paulista e adjacências são abastecidas pelo Sistema Cantareira. "Esclarecemos, no entanto, que essa água, apesar de diferente, não traz riscos à saúde da população. É importante que se ressalte isso, pois tomamos todos os cuidados para garantir que o produto seja sanitariamente seguro para o consumo humano, cumprindo todas as leis e tendo até mesmo certificados de laboratórios de análise com padrões ISO de qualidade", informou a empresa, por meio de nota oficial.

OESP, 19/09/2008, Metrópole, p. C1

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