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Alemanha e Brasil assinam acordo em Bonn

OESP, Geral, p. A13
03 de Jun de 2004

Alemanha e Brasil assinam acordo em Bonn
Iniciativa torna viável a troca de informações na área de energias renováveis limpas

BONN - O Brasil assinou ontem um memorando de cooperação com a Alemanha para a troca de informações na área de energias renováveis não poluentes, como a eólica, a solar, a biomassa e as derivadas do hidrogênio. O acordo foi assinado pela ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff, e pelo ministro do Meio Ambiente da Alemanha, Jurgen Trittin, no segundo dia da Conferência Mundial sobre Energias Renováveis, em Bonn.
A inclusão das usinas hidreléticas em projetos de geração de energias renováveis, principal ponto de discórdia entre movimentos ambientalistas e o governo brasileiro, não entrou no acordo. No entanto, as entidades temem o discurso que Dilma fará hoje pela manhã na conferência. Ontem, representantes do Greenpeace e de outros movimentos ligados à questão ambiental pediram à ministra para não mencionar as hidrelétricas em sua fala.
Até agora, Dilma defendeu a inclusão delas na meta, definida em Johannesburgo no encontro Rio+10, em 2002, de elevar a participação das fontes de energia renováveis para 10% da matriz energética mundial até 2010.
Para ambientalistas e para o secretário paulista do Meio Ambiente, José Goldemberg, as hidrelétricas não se encaixam no perfil de projetos de geração de energia recomendável, por causarem danos ao meio ambiente.
Recursos - Ontem, também, o governo alemão anunciou que destinará 2,6 milhões a projetos para o desenvolvimento de energias limpas na América Latina e no Caribe por meio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A iniciativa visa, entre outros aspectos, a aumentar a eficiência energética nos países da região, contribuindo para combater a pobreza, sobretudo nas áreas rurais.
Além dessa iniciativa, o Banco Mundial (Bird) pretende fomentar o uso de energias renováveis concedendo empréstimos para a construção das infra-estruturas necessárias. O Bird pretende ampliar em 20% anuais os créditos para o estabelecimento de energias renováveis. No total, o banco aumentará o volume de empréstimos em mais de US$ 400 milhões em 2010.
Hoje está prevista a participação do chanceler alemão, Gerhard Schoeder, na conferência, que vai até amanhã, data em que os delegados do evento se comprometeram a aprovar um Plano Internacional de Ação que estimule compromissos concretos para projetos de energia renovável. Mais de cem propostas já foram apresentadas.
Agência - Parlamentares de todo o mundo propuseram ontem, durante a conferência, a criação de uma agência internacional, batizada de Irena (International Renewable Energy Agency), para estimular o desenvolvimento das energias limpas no planeta.
Depois de longos debates, foi decidida a fórmula dessa agência: será de caráter não vinculador e de adesão voluntária, representando a vontade majoritária, na comunidade internacional, de incentivar as fontes de energia limpas. (Agência Brasil, EFE, DPA)

OESP, 03/06/2004, Geral, p. A13

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