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Aldo diz que pegou pesado

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14 de Mai de 2011

Aldo diz que pegou pesado
Na tentativa de esfriar ânimos, relator do Código Florestal recua nas acusações de contrabando de madeira contra o marido da ex-senadora Marina Silva

Ivan Iunes

Sob fogo cerrado dos ambientalistas, o relator do Código Florestal, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), ensaiou um possível cessar-fogo, ontem. Depois de acusar o marido da ex-senadora Marina Silva (PV-AC), Fábio Vaz de Lima, de ter contrabandeado madeira, o deputado federal voltou atrás e disse que "pegou pesado". A frase foi dita a uma emissora de televisão de Alagoas. Em entrevista coletiva na quinta-feira, Marina não descartou a possibilidade de o marido processar Aldo pelas acusações. Mesmo com o esfriamento da votação do código para o fim do mês, os ambientalistas mantêm os ataques ao texto do deputado federal. Ontem, foi a vez de o PV emitir nota técnica criticando o relatório.
Diante das críticas ambientalistas no dia da votação do relatório, na quarta-feira, Aldo Rebelo admitiu que se exaltou e atacou o marido de Marina sem provas. "Naquele momento, de cabeça quente, sendo taxado de traidor pelos ecologistas, lancei mão dessa denúncia contra o marido da Marina, mas confesso que só tomei conhecimento dessa denúncia pela imprensa. Por isso, vou ligar para Marina e me explicar. Afinal, nunca tive problemas com ela. Pelo contrário, sempre nos demos muito bem", ponderou o relator do Código. Além de atacar Lima em plenário, Rebelo também disse que o livrou de prestar depoimento na CPI da Pirataria - à época o deputado federal era líder do governo na Câmara.
Críticas do PV
Para firmar um armistício com os ambientalistas, no entanto, Rebelo precisará mais do que ensaiar um diálogo com Marina. Ontem, o PV elencou dez pontos do relatório do Código Florestal apresentado pelo deputado federal que trariam sério danos ao meio ambiente - em comparação com o texto acordado pelo governo federal. Técnicos do partido entendem que o texto amplia em excesso o uso de áreas rurais consolidadas e exclui áreas importantes, como veredas e manguezais, do rol das áreas a serem preservadas. O relatório também teria lacunas jurídicas e propiciaria um "verdadeiro descontrole fundiário e ambiental de tais áreas (reservas legais)", diz o texto. Além do partido, entidades ambientalistas, como a WWF, fazem campanha nas redes sociais para colher assinaturas com a intenção de tirar Aldo Rebelo da relatoria do projeto. Para eles, o parlamentar seria parcial no processo.
Entre os pontos modificados por Rebelo em relação ao texto fechado com o governo, o único ponto considerado positivo pelos ambientalistas foi a inclusão de um artigo que trata da permissão para cultivo de camarões. Durante entrevista, representantes de ONGs ambientalistas criticaram o deputado por apresentar o texto final do Código Florestal em plenário, no dia da votação.
"O Código atual tem 45 anos. É importante para a conservação e não poderia ter sido discutido longe dos olhares da sociedade. Foi irresponsabilidade dos deputados, que quase aprovaram uma lei modificada na última hora", reclama o coordenador do Instituto Socioambiental (ISA), Raúl do Valle. Por conta da crise deflagrada na última sessão que tentou votar o Código, na quarta-feira, o governo anunciou que trabalhará para empurrar a votação para o fim do mês.

CB, 14/05/2011

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