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Alcoa: interesse na construção de Belo Monte

OESP, Economia, p. B14
15 de Jun de 2004

Alcoa: interesse na construção de Belo Monte
Projeto pode ser definitivo para que a produtora de alumínio invista em nova usina

RENÉE PEREIRA

A subsidiária brasileira da Alcoa, líder mundial na produção de alumínio, está interessada na construção do maior complexo hidrelétrico em estudo no País. Trata-se da Usina Belo Monte, localizada no Rio Xingu, no Pará, que terá capacidade de 11.182 megawatts (MW) de energia. A hidrelétrica pode ser um empurrão definitivo nos planos da empresa de construir uma nova usina de alumínio no País. Entre outros fatores, o projeto depende da garantia de fornecimento de eletricidade.
Segundo o presidente da multinacional na América Latina, Josmar Verillo, além do investimento de US$ 1,4 bilhão anunciado para os próximos 4 anos, a empresa está em início de conversação com o governo para a construção de uma nova usina de alumínio no País, que exigiria recursos de US$ 3,2 bilhões.
"Nosso interesse em Belo Monte está associado a essa nova fábrica", argumenta o presidente da multinacional na América Latina. Segundo ele, a companhia foi sondada pelo governo e manifestou interesse no projeto, que poderia ser feito em parceria com outras grandes companhias.
O complexo de Belo Monte, cujo estudo de inventário foi iniciado em 1975, tem sofrido constantes pressões ambientais, mas está nos planos do governo do PT, que pretende fazer a licitação até o final do ano. O projeto é polêmico, já que a usina será construída na Amazônia, onde a obtenção de licenças ambientais tem se mostrado um grande problema. Verillo acredita, porém, que isso não será impedimento porque, de acordo com o novo modelo do setor elétrico, as licitações serão feitas com o licenciamento ambiental já concedido.
Bom momento - Para o presidente da multinacional, a Alcoa vive uma fase positiva no País: "Há 20 anos não tínhamos um grande programa de investimento no Brasil como agora." A companhia tem participação no Consórcio de Alumínio do Maranhão (Alumar), localizado em São Luís, e uma fábrica de alumínio em Poços de Caldas, em Minas Gerais.
Na área de energia, a Alcoa está presente nas hidrelétricas de Machadinho (1.140 MW) e Barra Grande (708 MW). Esta última entrará em operação no segundo semestre de 2005. Além disso, a companhia tem participação em 3 outros projetos: Pai Querê (292 MW), Estreito (1.087 MW) e Serra do Facão (210 MW). As três usinas estão em processo de licenciamento ambiental.
Segundo Verillo, o investimento no setor é de US$ 50 milhões, porque "não estamos no negócio de energia, mas no de alumínio." Ele quis dizer que a intenção é investir em energia para garantir a auto-suficiência. Hoje, o consumo de energia da companhia é suprido pela Eletronorte e Machadinho.
Para os críticos do setor, o uso da energia de Belo Monte para a produção de alumínio não agrada. A energia das hidrelétricas, que tende a ser mais barata, deve ser usufruída pela população, afirmam.

OESP, 15/06/2004, Economia, p. B14

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