O Globo, País, p. 4
25 de Mar de 2014
Alckmin reclama que estado do rio usa o Paraíba para gerar energia
Para o governador, eletricidade poderia ser produzida em outros locais
Silvia Amorim e Tiago Dantas
opais@oglobo.com.br
Em mais um capítulo da crise entre os dois estados, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), contestou ontem o discurso do colega Sérgio Cabral (PMDB) de que o abastecimento da população do Estado do Rio corre risco por causa da proposta paulista de captar água da Bacia do Rio Paraíba do Sul para alimentar o Sistema Cantareira.
Alckmin disse que menos da metade da vazão de 119 metros cúbicos por segundo captada do Rio Paraíba do Sul pelo Estado do Rio vai para o abastecimento de água das cidades do estado. A outra parte, segundo Alckmin, é usada para a geração de energia e, para este fim, o Estado do Rio pode usar outras fontes.
- Apenas 45 metros cúbicos vão para abastecimento hídrico da população. Grande parte é para hidrelétrica. É para gerar energia para a Light.
Alckmin defendeu que a energia elétrica seja gerada em vários locais e não só no Paraíba do Sul.
- Aliás, o Tietê tem mais eficiência energética porque tem mais hidrelétricas.
Alckmin já afirmara, ao jornal "Folha de S.Paulo", que a água do Rio Jaguari, da bacia do Paraíba do Sul, é "dos paulistas". "Quero lembrar ao governador Sérgio Cabral que o Rio Jaguari pertence ao Vale do Paraíba, aos paulistas, assim como a Baía de Guanabara é dos cariocas", disse.
O tucano avalia que é o Rio quem faz hoje transposição de águas do Paraíba do Sul e destacou que a proposta de São Paulo é apenas interligar duas represas paulistas. Mais cedo, ao ser perguntado por que, na aos paulistas, assim como a Baía de Guanabara é dos cariocas", disse.
O tucano avalia que é o Rio quem faz hoje transposição de águas do Paraíba do Sul e destacou que a proposta de São Paulo é apenas interligar duas represas paulistas. Mais cedo, ao ser perguntado por que, na sua opinião, Cabral estava reclamando, Alckmin respondeu:
- Acredito que é uma questão de (falta de) informação. Havia um projeto, na década de 1950, lá atrás, que previa a transposição de água do Rio Paraíba, como o Rio faz. A água não voltava para o rio. Agora, não é isso. É uma interligação de dois reservatórios, algo que o mundo inteiro faz - disse Alckmin.
A interligação envolveria as represas Jaguari e Atibainha. Quando o Sistema Cantareira tiver excesso de água, o que aconteceu entre 2010 e 2012, a água excedente ficará armazenada no reservatório Jaguari. Quando houver escassez, o que se repetiu três vezes nos últimos dez anos, o sistema distribuidor receberia água do Jaguari, que é afluente do Paraíba do Sul.
Alckmin disse acreditar que pode lançar a licitação para os serviços em quatro meses, caso consiga todas as licenças necessárias. Embora diga que a intervenção envolve só rios estaduais, o governador lembrou que pediu aval da Agência Nacional das Águas (ANA) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Anel).
Em reunião com prefeitos paulistas do Vale do Paraíba, região que também usa o Paraíba do Sul para abastecimento, o governador citou o combate ao desperdício no sistema do Rio, que seria de 40%, como uma alternativa para o estado ter mais água.
Se o embate com Cabral continua, pelo menos no estado de São Paulo Alckmin parece ter conseguido apoio para o seu projeto. A maioria dos prefeitos que esteve no encontro declarou apoio à proposta. O prefeito de Taubaté, Ortiz Júnior (PSDB), atribuiu a resistência que prefeitos manifestaram semana passada à desinformação.
- Havia uma falta de informação e de dados técnicos. Os prefeitos ficaram preocupados. Faltava que o governador fizesse exatamente o que fez.
Ao comentar a disputa entre Rio e São Paulo, depois de uma aula inaugural no curso de Ciências Sociais da PUC-Rio, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou ontem:
- Já está na hora de dizer com sinceridade: talvez não seja necessário (racionamento), mas acautelem-se. Água é essencial para todos. Como resolver essa questão? Atendendo aos dois lados? Eu não sei. A Agência Nacional de Águas tem que dizer. Eu levei muito pau por causa do apagão de 2001. Quando teve o racionamento, a primeira proposta era cortar energia. Eu falei: "Não, vamos apelar para o povo". Acho que isso (racionar) já deve ser feito tanto com a água quanto com a eletricidade.
Água é essencial para todos. Como resolver essa questão? Atendendo aos dois lados? Eu não sei. A Agência Nacional de Águas tem que dizer. Eu levei muito pau por causa do apagão de 2001. Quando teve o racionamento, a primeira proposta era cortar energia. Eu falei: "Não, vamos apelar para o povo". Acho que isso (racionar) já deve ser feito tanto com a água quanto com a eletricidade.
O Globo, 25/03/2014, País, p. 4
http://oglobo.globo.com/pais/alckmin-diz-que-menos-da-metade-da-agua-do…
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