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Alckmin diz que vai pedir a Dilma dinheiro para obras contra falta d´água e fim de impostos

Extra - extra.globo.com/noticias
29 de out de 2014

Alckmin diz que vai pedir a Dilma dinheiro para obras contra falta d´água e fim de impostos

Tiago Dantas - O Globo

SÃO PAULO - Um dia após a presidente Dilma Rousseff (PT) dizer que o governo de São Paulo recusou ajuda federal para enfrentar a crise de falta d'água, o governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou que pretende conversar com a Presidência para pedir recursos financeiros e solicitar o fim de impostos pagos por empresas de saneamento básico, como a Sabesp. Embora tenha adotado tom conciliador após as eleições, Alckmin criticou a autorização dada pela Agência Nacional de Águas (ANA) para que a represa Jaguari, parte do sistema Cantareira, também fosse utilizada para gerar energia, o que teria reduzido o nível do reservatório.
- O governo federal precisa tirar o imposto da água. É inacreditável. Só a Sabesp paga R$ 680 milhões de PIS e Cofins. Vamos conversar com ela (presidente Dilma) - disse o governador, nesta quarta-feira, em visita a Santos, no litoral. - A eleição já acabou. Nossa disposição é do diálogo e da cooperação. O governo federal é um grande parceiro. Temos já vários pleitos.
Alckmin rebateu o presidente da ANA, Vicente Andreu, que, na semana passada, declarou que a utilização da terceira cota do volume morto seria inviável. Desde sexta-feira, a Sabesp está captando a segunda reserva técnica do sistema Cantareira. Segundo o governador, a terceira cota só será utilizada se houver necessidade e, ainda assim, não haverá problema na qualidade de água. Alckmin reclamou que a ANA autorizou que parte das águas das represas de Jaguari e Paraibuna fossem destinadas à produção de energia elétrica:
- Nós vínhamos preservando a represa de Jaguari. Essa água ia garantir o abastecimento humano do Vale do Paraíba, do Rio de Janeiro e de Campinas. A Agência Nacional de Águas, que pertence ao governo federal, nos obrigou a fazermos a abertura das águas a ponto de ameaçar uma intervenção. Parte dessa água foi para produzir energia elétrica. Boa parte dessa água não está indo para abastecimento humano.
O governador disse que estuda pedir o fim do uso das duas represas para geração de energia. Na noite de terça-feira, em entrevista ao Jornal da Band, a presidente Dilma Rousseff afirmou que colocou à disposição de Alckmin verbas emergenciais. Segundo ela, porém, o governo preferiu "um caminho mais tradicional", que não envolvia o uso de situação de emergência.
AMBIENTALISTAS APRESENTAM PROPOSTAS
Na capital paulista, mais de 30 grupos de ambientalistas e organizações não-governamentais formaram, na manhã desta quarta-feira, a Aliança Pela Água, coalizão criada para discutir propostas para enfrentar a crise hídrica e oferecer soluções aos governos. Uma das primeiras iniciativas do grupo é entregar ao poder público uma lista com ações consideradas prioritárias para lidar com a falta d'água. A coalização defende a adoção de multa para quem desperdiçar água, campanhas educativas, incentivo à redução de consumo e divulgação dos locais onde ocorre racionamento de água não-oficial. A longo prazo, o grupo defende programas de reúso de água, reflorestamento e despoluição dos rios urbanos.
- O primeiro passo é admitir que temos um problema, que há uma crise e que a situação da água é muito grave e está longe de se resolver. - disse a coordenadora da Aliança, Marussia Whately, do Instituto Sócio Ambiental (ISA). - Começamos a última estação seca, em abril, só com o sistema Cantareira comprometido. Se as coisas continuarem como estão, vamos entrar na próxima estação seca com várias represas com níveis baixos.
Além do ISA, também fazem parte da aliança organizações como SOS Mata Atlântica, WWF, Greenpeace, The Nature Conservancy, Rede Nossa São Paulo e Instituto de Pesquisas Ecológicas. Nas últimas semanas, o grupo reuniu a opinião de 281 especialistas em meio ambiente e gestão de recursos hídricos sobre soluções que podem ser tomadas no curto e no longo prazo. A partir dessa pesquisa, a Aliança escolheu 20 itens para uma "agenda mínima" que deverá ser entregue para o governo de São Paulo nas próximas semanas.
Coordenador do programa Água para Vida da WWF, Glauco Kamura, argumenta que a situação vivida por São Paulo é a "ponta do iceberg" de um problema que o Brasil enfrenta de forma generalizada na área de recursos hídricos:
- A crise hídrica de São Paulo não é só um problema de falta de chuva. É um problema de gestão. E isso é só a ponta do iceberg. Em todas as regiões do país a situação é semelhante. Os governos permitem o desmatamento em áreas próximas às represas, deixam que as pessoas construam casas e joguem esgoto nas bordas dos reservatórios. A água precisa entrar na agenda prioritária dos tomadores de decisão.

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