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Alckimin anuncia uso de esgoto tratado para abastecer a região metropolitana

OESP, Metrópole, p. A18
06 de nov de 2014

Alckimin anuncia uso de esgoto tratado para abastecer a região metropolitana
Duas estações de água serão construídas para ampliar produção das Represas do Guarapiranga e Isolina, no Rio Cotia; previstas para o fim de 2015, obras vão acrescentar mais 3 mil litros por segundo no sistema e atender 900 mil pessoas

Fabiana Cambricoli e Rafael Italiani

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou ontem que a Grande São Paulo vai usar esgoto tratado na produção de água para consumo humano a partir de dezembro de 2015. Alternativa para reduzir a dependência do Sistema Cantareira, a medida vai resultar na produção de mais 3 mil litros de água por segundo, suficientes para abastecer 900 mil pessoas.
Duas Estações de Produção de Água de Reúso (Epar) serão construídas. Elas farão o tratamento do esgoto para depois despejar a água na Represa do Guarapiranga, na zona sul da capital, e no Rio Cotia, em Barueri, na Grande São Paulo - ambos os mananciais são responsáveis pelo abastecimento de parte da população da região.
O modelo é semelhante ao anunciado pela prefeitura de Campinas na semana passada. A água de reúso, embora não seja potável, tem 99% de pureza - desse modo, pode ser despejada nas represas.
A Epar Guarapiranga será construída às margens do Rio Pinheiros, na altura do Autódromo de Interlagos, e terá capacidade para despejar na represa 2 mil litros de água de reúso por segundo. "Há uma lei da Química (que diz) 'nada se cria, nada se perde, tudo se transforma'. Então, esse esgoto da região sul, em vez de ir lá para Barueri para ser tratado, você intercepta na altura da Ponte Transamérica, puxa de volta para a Epar e, por uma adutora, devolve para a Represa do Guarapiranga. Nós teremos 2 metros cúbicos por segundo a mais (2 mil litros), independentemente de chuva, porque a água já foi consumida e vai ser devolvida", disse Alckmin.
A outra Epar será instalada em Barueri e vai abastecer a Represa Isolina, formada pelo Rio Cotia. Ela terá capacidade para produzir 1 mil litros de água por segundo a partir de esgoto. As duas estações deverão ficar prontas no fim do próximo ano.
O incremento na produção de água nas duas represas, possibilitado pela água de reúso, vai aliviar também a demanda sobre o Cantareira. Hoje, 2,3 milhões de clientes atendidos anteriormente pelo sistema são abastecidos pelo Guarapiranga e Alto Tietê.
O governador afirmou que o volume excedente incorporado à Represa do Guarapiranga por meio da água de reúso vai equilibrar o aumento da captação do sistema, previsto para ser iniciado no próximo dia 15. "Vamos retirar 1 mil litros a mais a partir deste mês e outros 1 mil litros em setembro de 2015. Esse valor que estamos tirando a mais do Guarapiranga vai ser compensado com a água de reúso", disse Alckmin.

Avaliação. Já adotada em outros países, a água de reúso para consumo é defendida por especialistas em recursos hídricos, uma vez que, após ser jogada no manancial, essa água passa novamente por tratamento antes de chegar à torneira. "Isso não é um problema, mas o esgoto precisa ter um nível alto de tratamento para ser jogado na Represa do Guarapiranga", disse Benedito Braga, presidente do Conselho Mundial de Água.
Braga ressaltou que, atualmente, as invasões nas margens da Guarapiranga despejam esgoto sem tratamento no manancial. No entanto, após o tratamento, a água se torna adequada para o consumo.
De acordo com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), em uma Epar, o esgoto passa por duas fases de tratamento antes de ser despejado no manancial: primeiro, é feito o tratamento, cujo produto final é um líquido já despoluído. Essa água, antes de ser devolvida para a natureza, passa por um novo tratamento no mesmo local, virando água de reúso.
Depois, a água segue para uma adutora, que joga a água de esgoto tratada dentro da represa. De acordo com a Sabesp, o processo segue leis nacionais.
Para Malu Ribeiro, coordenadora da Rede Água da SOS Mata Atlântica, a população deve ser conscientizada sobre o processo. "Tecnologias temos disponíveis e a população não pode achar que vai beber esgoto. A sociedade deve deixar de ter a cultura da abundância de água", disse a especialista.

Sistema Guarapiranga vai receber mais água da Billings

No pacote de medidas anunciadas nesta quarta-feira, 5, para enfrentar a crise hídrica, o governo do Estado de São Paulo afirmou que vai dobrar de 2 mil para 4 mil litros por segundo o volume de água transferida da Represa Billings para o Sistema Guarapiranga. Para isso, porém, teve de reduzir o volume de água enviado da Billings para a Usina Hidrelétrica de Henry Borden, em Cubatão, na Baixada Santista.
"Estabelecemos que serão, no máximo, 6 metros cúbicos por segundo (6 mil litros enviados para a usina). Com isso, conseguimos bombear mais água para a Guarapiranga", disse o governador Geraldo Alckmin, que informou que, em momentos de pico, a Billings já chegou a fornecer 150 metros cúbicos por segundo para a usina.
Também foi anunciada a construção de 29 reservatórios de água tratada para a Grande São Paulo. Três deles já estão prontos, outros cinco serão entregues até o fim do ano e o restante, até março de 2015.
De acordo com o governador, embora os reservatórios não aumentem a água disponível para abastecimento, por armazenarem só água tratada, eles garantem a regularidade da entrega da água em momentos de grande demanda na região e diminuem as perdas em até 240 litros por segundo.

Moradores de São Paulo reclamam de água com gosto de barro
Segundo eles, o odor é de produtos químicos; governador garante que, se não tem qualidade, o produto não é distribuído

Marília Marasciulo, Mateus Luiz de Souza e Matheus Martins Fontes - Especiais para O Estado

SÃO PAULO - Moradores de quatro regiões de São Paulo relataram mudanças na cor, no cheiro e no gosto da água que chega a suas casas. Segundo eles, o líquido está esbranquiçado, com odor forte de produtos químicos e gosto de barro. A reportagem ouviu relatos no Bosque da Saúde, zona sul, Vila Nova Cachoeirinha, zona norte, Tatuapé, zona leste, e Vila Romana, zona oeste.
O problema ocorre há pelo menos três meses, de acordo com os moradores. Além disso, eles afirmam que são registrados cortes de abastecimento de água no período da noite, que dura entre 18h e 20h até 5h e 7h.
A Sabesp informou que "não constam reclamações dos moradores dos endereços citados pela reportagem em sua central de atendimento 195". "Como o jornal não ofereceu prazo, a companhia não teve como deslocar equipes para fazer em tempo as vistorias nos locais. As visitas serão feitas e a empresa se compromete a posteriormente prestar as informações", afirmou em nota. Na terça-feira, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) havia dito que tais problemas aconteceram na zona sul por um caso específico de alteração de sistemas. Ele disse ainda que, se não tiver qualidade, a água não é distribuída.
Um dos moradores que enfrentam essa situação, Filipe Berndt, do Bosque da Saúde, contou que, desde o último mês, a água está mais esbranquiçada e com cheiro forte. Além de filtrar a água diretamente no registro, ele usa um filtro comum de barro. Passou também a comprar água mineral para beber e cozinhar. "Esses dias gastei R$ 35 de água, isso é mais que minha conta mensal", diz.
Morador da Vila Nova Cachoeirinha, Antonio Dvorzak tem reclamações semelhantes. Segundo ele, assim que o volume morto começou a ser usado, a água passou a sair leitosa da torneira e, agora, é preciso esperar antes de consumir. Dvorzak afirmou também que passou um domingo inteiro com as torneiras secas. "Foram mais de 36 horas sem água", reclamou.
Com as mesmas queixas, Eric Caputo, morador do Tatuapé, descreve o abastecimento em sua casa: "Quando a água volta, vem branca e com gosto de barro". Na Vila Romana, Ricardo Tavares diz ter o mesmo problema.

OESP, 06/11/2014, Metrópole, p. A18

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