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Alarmismo ecológico

OESP, Notas e Informacões, p. A3
18 de mai de 2005

Alarmismo ecológico

A cada nova etapa do processo de aprovação do Trecho Sul do Rodoanel, alguns ambientalistas voltam a ameaçar o avanço da obra com argumentos no mínimo discutíveis. Obra viária planejada para facilitar a transposição de cargas que vêm das ou têm por destino as mais diversas regiões brasileiras, o Rodoanel é sempre apontado como fator de degradação do meio ambiente. Visão tacanha, ignorância ou interesses outros movem essa corrente contrária, indiferente aos apelos de setores vários cuja pressão, há um mês, conseguiu unir finalmente os esforços dos governos estadual e federal na intenção de seguir com a construção.
Até o dia 10 de junho, o Ibama deverá concluir o último parecer necessário para a expedição da licença que permite o lançamento do edital para a construção dos 57 quilômetros do Trecho Sul do Rodoanel, que estenderá o anel desde a Rodovia Régis Bittencout até as Rodovias Imigrantes e Anchieta, facilitando o acesso ao Porto de Santos para as cargas originárias do ABC. Conforme levantamentos do Consórcio Intermunicipal do ABC, esse trecho permitirá reduzir em 30% o preço final dos produtos escoados pela região.
Redução do tráfego pesado assim como do tempo de deslocamento nos principais corredores e melhoria dos níveis de poluição do ar e sonora, provocada pelo trânsito caótico em toda a área central da região metropolitana, serão outros benefícios trazidos pela obra.
Benefícios integralmente desprezados pelos ambientalistas que, como Carlos Bocuhy, presidente da ONG Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam), continuam atribuindo ao projeto do Rodoanel, que só tem o Trecho Oeste concluído, a degradação ambiental há décadas registrada em grande parte das regiões norte e oeste da Grande São Paulo, por onde se estendem áreas de preservação de mananciais e a Serra da Cantareira.
Na segunda-feira, Bocuhy apresentou estudo na Câmara de São Bernardo alertando para impactos ambientais gravíssimos que o Trecho Sul traria para a Represa Billings. Segundo ele, em 50 anos, a capacidade de abastecimento do reservatório cairá pela metade, por conta do desmatamento, da ocupação desordenada e do movimento de terra que levará sedimentos para a represa.
Muito antes de o Rodoanel ser iniciado, a represa já apresentava alto grau de degradação por conta da invasão ilegal da região, que o poder público nunca conseguiu frear. A Billings já perdeu 25% da sua capacidade nos últimos 75 anos, conforme lembra o próprio ambientalista. É um manancial intensamente poluído, cujo aproveitamento para abastecimento de água já é muito reduzido.
Alarmismo puro. Em entrevista ao jornal Diário do Grande ABC, publicada no último fim de semana, o coordenador do Centro de Estudos de Política e Economia do Setor Público da Fundação Getúlio Vargas, Ciro Biderman, consultor do Banco Mundial para desenvolvimento econômico local, afirmou que o impacto do Trecho Sul sobre a economia, a população e o meio ambiente do ABC será nulo. Seu estudo, baseado em sofisticados modelos matemáticos, mostra que o Rodoanel não evita a evolução da mancha urbana, mas também não a induz.
O projeto do governo estadual não prevê a construção de acessos para a via, entre a Régis Bittencourt e a Imigrantes. Sem acesso, quem vai querer se estabelecer às margens do Rodoanel?
A construção do Trecho Sul da via comprometerá 287 hectares de vegetação. Em compensação, o Estado se compromete a plantar 1.017 hectares, a criar dois novos parques na região, que somam outros 600 hectares e a recuperar o Parque Pedroso, que reúne outros 580 hectares. Para evitar que detritos atinjam a represa, barragens de contenção serão construídas ao longo de todo o trecho.
Depois da construção da segunda pista da Rodovia dos Imigrantes, na Serra do Mar, o Brasil se transformou em referência mundial nos empreendimentos de engenharia desenvolvidos com total respeito ao meio ambiente.
O Rodoanel é uma obra necessária para setores produtivos de todo o País, tem função logística fundamental e não pode ter sua construção mais uma vez bloqueada por ambientalistas que usam seu poder de fogo para defender interesses que não são os da maioria, mas de algumas plataformas políticas.

OESP, 18/05/2005, Notas e Informacões, p. A3

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