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Águas limpas

O Globo, Opinião, p. 6
11 de mar de 2006

Águas limpas

Se o vazamento de material tóxico ocorre em curso d'água, e se o curso d'água fica em São Paulo, Minas Gerais ou Rio de Janeiro, cedo ou tarde o desastre ambiental deságua no Rio Paraíba do Sul, comprometendo a qualidade da água encanada em cidades paulistas, mineiras e fluminenses.
Foi assim no grande desastre ambiental de março de 2003, quando água contaminada com soda cáustica, hipoclorito de cálcio e outros produtos químicos escapou de um reservatório da Cataguazes Papéis, em Minas, e desceu pelo Rio Pomba até o Paraíba do Sul. Além de Cataguazes, e de pequenos municípios mineiros, oito cidades fluminenses ficaram temporariamente sem água potável. Na região atingida, morreram animais de grande porte, o consumo de peixe ficou durante algum tempo proibido e a água não servia nem para dar de beber ao gado ou para tomar banho.
No último acidente, ocorrido semana passada em Minas, ainda estão sendo avaliadas a natureza e a extensão dos danos causados pelo vazamento no Rio Muriaé de produtos químicos usados por uma mineradora de Miraí. Mas outra vez cidades do Paraíba do Sul que ficam na rota da mancha em sua descida para o Atlântico, como Campos e São João da Barra, foram ameaçadas.
O Paraíba do Sul é patrimônio coletivo valiosíssimo de uma das regiões mais industrializadas do Brasil. Para a população fluminense, que nele se abastece de água e de energia, é uma bênção especial. Preservá-lo como organismo vivo, e fonte perene de água limpa, é do interesse não só de fluminenses, mineiros e paulistas mas de todos os brasileiros.
Isso quer dizer que a saúde do Paraíba do Sul é atribuição não só fluminense, mas regional e federativa, que envolve o trabalho integrado de agências, de governos estaduais e do governo federal.
O Rio de Janeiro, por estar situado a jusante, deve empenhar-se com ênfase particular no bom entrosamento das partes envolvidas na preservação do Paraíba. Com as descargas de dejetos que o grande rio recebe, a qualidade das águas tende a piorar no trecho mais próximo da foz - onde a parceria com agências e autoridades mineiras e paulistas é vital não só para reparar danos mas, sobretudo, para preveni-los.

O Globo, 11/03/2006, Opinião, p. 6

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