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Água para os 100 anos

CB, Opinião, p. 21
Autor: RORIZ, Joaquim Domingos
21 de Ago de 2004

Água para os 100 anos

Joaquim Domingos Roriz
Governador do Distrito Federal

O ano de 2003 foi batizado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Ano Mundial da Água. A CNBB celebrou, no mesmo ano, a importância da água criando a campanha Água é Vida. Tanto a ONU quanto a CNBB tentam chamar a atenção de todos os países sobre a necessidade urgente de preservação dos recursos hídricos. A escassez de água coloca em risco a produção de alimentos, a estabilidade econômica e a transforma em um bem de valor estratégico para todas as nações. lá é consenso que o acesso e a disputa por esse bem precioso poderão, em um futuro próximo, gerar crise de proporções planetárias.
Os cientistas afirmam que, no século 21, a falta de acesso à água potável será um problema para mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo. Acredita-se que, em 2050, a escassez deva atingir sete bilhões de pessoas, ou seja, 75% da população mundial.
No Distrito Federal a demanda é hoje de sete metros cúbicos por segundo. E, segundo as projeções da Caesb, estima-se que em cinco anos a demanda vai atingir a capacidade máxima de produção, que é de doze metros cúbicos por segundo.
0 governo do Distrito Federal precisava agir rápido e com determinação. Era necessário fazer todo o esforço necessário para encontrar outras fontes de abastecimento de água para os moradores do DE Era necessário antecipar o problema para superar a carência e o desastre que aconteceriam, certamente, caso nada fosse feito. Não importa a baixa visibilidade da obra. Não importam as dificuldades. Não se faz marketing com as necessidades básicas da população.
O GDF encontrou a solução para o estrangulamento de água no DF construindo a barragem de Corumbá IV. Com a parceria do governador Marconi Perillo estamos concluindo a obra, que vai garantir, em breve, o abastecimento de água para os próximos 100 anos no Distrito Federal e Entorno. Corumbá IV tem capacidade de produzir 120 metros cúbicos por segundo, ou seja, 10 vezes mais do que a atual capacidade instalada pela Caesb.
Com o fechamento da barragem de Corumbá IV, precisamos levar a água para Brasília. É necessário captar, aduzir e tratar antes de fazê-la chegar à casa de cada um dos brasilienses. Por essa razão, o GDF iniciou contatos com empresas que tenham interesse em financiar os R$ 400 milhões que serão necessários somente para levar a água e abastecer o Entorno e o DF.
Recebemos em Brasília a empresa Berlinwasser International, uma das maiores, empresas européias em saneamento, responsável pelo o emprego direto de 5.500 trabalhadores, com receita, em 2002, de 1,1 bilhão de euros. A Berlinwasser se mostrou interessada no financiamento da obra de captação de Corumbá IV para o abastecimento e assinou dois protocolos de intenção para associar-se à Caesb em negócios em outros estados e na China.
Os estudos de viabilidade econômica já estão em andamento e é possível que, ainda este ano, a Caesb esteja operando na República Popular da China. 0 Governo do Distrito Federal se moderniza e se prepara para operar em um mundo globalizado. Irradiar conhecimento e absorver experiências em outras regiões do planeta será fundamental para a modernização e aumento na eficiência da Caesb.
A captação de água em Corumbá IV não resolverá simplesmente uma questão de demanda. 0 início de operação da nova represa vai permitir que a Caesb deixe de utilizar inúmeras nascentes dentro do DF, que serão transformadas em parques ecológicos e que a CEB aumente em 20% a oferta de energia elétrica para o DE
Corumbá IV é uma das maiores e mais importantes obras executadas pelo GDE Além de todas as vantagens diretas para a população, seu funcionamento vai permitir que a Caesb e a CEB expandam e modernizem seus serviços. Ganha a Caesb, ganha a CEB, ganha Goiás, ganha Brasília, ganham todos os brasilienses.

CB, 21/08/2004, Opinião, p. 21

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