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Água e índios são temas da igreja durante 2004

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
02 de Mar de 2004

Durante sua visita a Roraima, o presidente da CNBB, cardeal Geraldo Majella, apontou os caminhos que a igreja percorrerá como resultado da assembléia de 2002. Deixou uma mensagem dirigida aos índios e missionários, reforçando a decisão de continuar com a campanha em defesa da biodiversidade e das etnias índias.

O cardeal afirmou que a CNBB já intercedeu junto ao governo brasileiro no sentido de que as terras indígenas fossem demarcadas e homologadas. Depois de visitar o Estado, a entidade voltará ao presidente Lula. "Pretendemos levar o testemunho dessa impressão que tivemos nos contatos aqui, para que ele veja a urgência de tomar uma decisão".

Dom Geraldo Majella disse que a Campanha da Fraternidade deste ano visa conscientizar o povo sobre a importância dos mananciais de água, especialmente na Amazônia, e explicou: "A água é um bem de todos, para todos. Portanto é um dever ter responsabilidade de todos governantes e governados. Não é questão do Brasil sobre a Amazônia, de que este seja um território soberano do Brasil, não é só esse interesse, mas, sobretudo fazer com que a água, abundante na Amazônia, seja bem cuidada e vá de encontro ao benefício que traz para humanidade".

FOLHA - Cardeal, nenhum dos países ricos compartilhou suas riquezas com o Brasil. Por que teríamos que compartilhar as nossas riquezas com eles?

MAJELLA - A água é um dom de Deus e não é um bem inextinguível. Portanto, deve ser cuidada por todos e se esta parte do mundo, que é a Amazônia, uma riqueza de reservas em relação ao mundo inteiro, está no nosso território, não é agora que vamos entregá-la para uma administração internacional. Podemos cuidar dela e não permitir que interesses particulares se estabeleçam aqui e tratem esse bem que é de todos, de qualquer modo.

FOLHA - A igreja trata os que aqui chegaram em 1500 de invasores e hoje não aceita ser tratada como invasora quando frequenta as terras indígenas. A igreja não admite a evolução do índio, a inclusão e participação na sociedade moderna?

MAJELLA - Nós não proibimos nada. Somos de acordo que eles participem não só do processo de construção do Brasil, mas internacionalmente. Queremos que eles tenham a capacidade de saber o que eles querem e de colaborar para o bem comum.

Não é interesse que temos sobre alguma coisa deles, é o interesse que temos para que possam ter acesso ao progresso. O que desejamos para eles é que se integrem à sociedade humana permanecendo onde estão, com sua cultura, se eles quiserem permanecer deste modo, e colaborando com o bem dos outros e todos colaborando para o bem deles".

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