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Água acaba em uma das represas do Cantareira

OESP, Cidades, p. C6-C7
13 de Nov de 2003

Água acaba em uma das represas do Cantareira
Jaguari chegou ao nível zero de capacidade, segundo informações de técnico da Sabesp

Mauro Mug

A Represa do Jaguari, uma das cinco que formam o Sistema Cantareira, chegou ao nível zero de sua capacidade. Não há mais condições de captar água, segundo técnicos da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). "Onde havia água agora é um pasto", contou um deles.
A prolongada estiagem fez surgir o fundo do manancial, exibindo grandes extensões de terra ressecada, rachada ou com mato. O problema é mais visível na região de Bragança Paulista. O sistema agora só recebe água das Represas de Jacareí, Atibainha, Cachoeira e Paiva Castro. O Rio Jaguari, cujas nascentes ficam perto de Monte Verde, em Minas, forma com o Rio Jacareí uma das maiores represas do País. Quando está cheia, o volume equivale ao da Baía de Guanabara, no Rio. A Bacia do Jaguari abrange 4 municípios mineiros e 15 paulistas.
Com isso, o armazenamento de água no Sistema Cantareira ficou ainda mais critico. Com a elevação da temperatura, aumentou a velocidade de esvaziamento do reservatório: de terça-feira para ontem perdeu 0,4 pontos porcentuais, o dobro da média que vinha. perdendo nos últimos dias. Com isso, o nível do manancial.chegou a 3,1%-o mais baixo desde que o sistema entrou em operação, em 1973.
Para reverter a situação, técnicos apostam nas chuvas que devem atingir a cidade hoje e amanhã, segundo previsão dos meteorologistas. "Na quinta-feira (hoje), a chegada de uma frente fria provocará fortes pancadas de chuvas à tarde", disse o meteorologista André Madeira, da Climatempo. Amanhã, o tempo também será instável, mas com precipitações mais fracas. "Nos dois dias deve chover aproximadamente 40 milímetros."
Já o Instituto Nacional de Meteorologia registrou ontem a maior temperatura deste ano na capital: 34,5 graus, às 16 horas. A mínima foi de 21 graus na Estação do Instituto no Mirante de Santana, na zona norte. A máxima anterior era de 34,1 graus, ocorrida em fevereiro, nos dias 9 e 25. E, em setembro, no dia 24.0 recorde de calor no mês é de 35,3 graus, em 1985, no feriado do dia 15.
O sol volta a aparecer entre muitas nuvens no sábado e ainda podem ocorrer pancadas de chuva. O domingo deve ser ensolarado, mas chove no fim do dia, por causa do calor de 30 graus. Se as chuvas não forem suficientes, no entanto, a Sabesp já tem pronto um plano: a partir de segunda-feira, pode começar o racionamento para 9 milhões de pessoas da capital e Grande São Paulo abastecidas pelo Cantareira. Os técnicos não informam qual é o nível mínimo a ser atingido para que o rodízio seja adotado.
As regiões serão divididas em três blocos. A cada dia, 3 milhões de pessoas devem ficar com as torneiras secas por no mínimo 24 horas ou no máximo 36 horas. A exemplo do que ocorre com o Alto Cotia, o reabastecimento poderá demorar até seis horas para chegar às casas em locais mais altos e distantes dos reservatórios.
Os blocos serão divididos em grupos, que sofrerão o corte no fornecimento em horários diferentes. Além de facilitar a operação da rede de distribuição, com aproximadamente 30 quilômetros, a divisão é necessária para evitar problemas na retomada do fornecimento. Segundo técnicos, com muita pressão, tubulações antigas podem se romper, provocar vazamentos ou danificar as válvulas e adutoras, caso o abastecimento seja normalizado de uma só vez. (Colaborou Cacau Fogaça)

Estado quer R$ 80 milhões da União
Emenda prevendo o repasse de recursos federais deve ser incluída no Orçamento

O sistema de abastecimento de água da região metropolitana de São Paulo poderá receber reforço de até R$ 80 milhões em 2004. A emenda prevendo o repasse de recursos federais para o Estado deverá ser incluída no Orçamento da União.
O texto, do deputado Mendes Thame (PSDB-SP), recebeu o apoio de 70 deputados federais e 3 senadores paulistas, numa reunião realizada ontem. A maior parte das verbas ficaria com São Paulo, apesar de haver previsão de recursos para Santos e Campinas.
Segundo Mendes Thame, o crescimento populacional na Grande São Paulo é de 1,7% ao ano, o que exige aumento de 1,5 metro cúbico por segundo no fornecimento. (Odail Figueiredo)

OESP, 13/11/2003, Cidades, p. C6-C7

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