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Agrotóxicos ameaçam aldeia indígena

Diário de Cuiabá-Cuiabá-MT
Autor: MARIA ANGÉLICA OLIVEIRA
07 de mai de 2004

Descarte inadequado de embalagens de produtos químicos está contaminando um córrego na região

Embalagens de agrotóxicos e formicidas lançados às margens do córrego Cágado, que abastece os índios parecis da região

A terra indígena Estação Pareci, localizada na BR 364 próximo a Diamantino, está sendo degradada pelo descarte inadequado de veneno e embalagens de agrotóxicos. As margens do córrego Cágado, que faz limite entre a aldeia e a fazenda São Lucas, se tornaram um lixão. "Quando chove, não dá para usar a água. Aí temos que pegar no posto", lamenta o índio João Batista Zoromará, uma das lideranças da região. O córrego é o único manancial de água da área.

Sachês do formicida Mirex, veneno utilizado para matar formigas, e embalagens vazias de agrotóxico se misturam ao lixo doméstico, como sacolas e sacos de adubo. Tudo isso fica a 30 metros do leito do rio. O gado criado na aldeia, cerca de 25 cabeças, acaba bebendo a água. Segundo Zoromará, há seis meses sete animais morreram.

A informação mostra que a situação acontece há muito tempo. "Jogam lixo toda semana", relata. Ele conta que o problema começou a se agravar depois que uma fazenda vizinha começou a plantar algodão e soja. O administrador substituto da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Diamantino, Martins Toledo de Melo, disse que algumas fazendas fazem pulverizações aéreas nas plantações. O veneno pode acabar atingindo o rio. Segundo ele, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) fez um estudo para abrir um poço artesiano na terra indígena mas a água teria sido considerada imprópria para consumo.

Técnicos do Instituto de Defesa Agropecuária (Indea) estiveram no local no dia 29. Foram encontrados cerca de 50 quilos de entulho. A Agropecuária São Lucas foi autuada e multada em 100 Unidades de Padrão Fiscal (UPF), cerca de R$ 2 mil. A notificação deu um prazo de cinco dias para que a administração da fazenda retirasse o material.

Segundo o chefe do órgão em Diamantino, Stephan Silva, o local havia sido limpo no sábado. Porém, o líder indígena afirmou que ainda havia lixo nas margens. Stephan disse que iria voltar ao local para verificar se há resíduos.

A situação parece estar longe de ser resolvida. Apesar dos índios cobrarem providências da Funai, o órgão afirma que a área ainda não é considerada reserva e, por isso, não poderia interferir no local.

Em 1996, fazendeiros teriam contestado a demarcação na justiça, alegando que há outros títulos na área. Atualmente, há 12 índios na aldeia. O total da terra indígena reivindicada é de 3.620 hectares.

A administração da fazenda São Lucas foi procurada para falar sobre o assunto entre quarta e sexta-feira mas não retornou as ligações até o fechamento dessa edição.

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