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Agronegócio, indústria e construção civil saem em defesa da "boiada" de Salles

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Autor: Daniele Bragança
26 de mai de 2020

Associações da indústria, agronegócio, construção civil, mercado imobiliário e setor de processamento assinam um anúncio de página inteira nos principais jornais do país em favor do ministro Ricardo Salles, alvo de críticas após sugerir que o governo aproveite a pandemia para "ir passando a boiada" e flexibilizar leis ambientais. Segundo o anúncio, assinado por quatro grandes confederações nacionais e dezenas de associações de classe, "a burocracia também devasta".

O manifesto foi publicado nos jornais Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo.

"Condenamos, também, a agenda burocrática que utiliza a bandeira ambiental como instrumento para o travamento ideológico e irrazoável de atividades econômicas cumpridoras das leis e essenciais ao desenvolvimento do País. Tal agenda afasta investimentos e subtrai empregos, gerando pobreza em vez de respeito ao meio ambiente", escreveram as entidades. "As ações do Ministério do Meio Ambiente, na defesa da legislação e dos interesses ambientais com sensibilidade ao desenvolvimento do País de forma sustentável e legítima, contam com o nosso total apoio".

O anúncio é assinado por 4 confederações [Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Confederação Nacional de Serviços (CNS)], dezenas de associações setoriais, como a de frigoríficos (Abrafrigo), de Higiene Pessoal (ABIHPEC) e mais de 30 sindicatos, a maioria ligada à construção civil.

Entidades como a Sociedade Rural Brasileira, a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (APROSOJA) e a União da Indústria de Cana de Açúcar (ÚNICA) também assinam o anúncio publicitário. Salles foi ex-diretor jurídico da Sociedade Rural Brasileira (SRB).

Nesta segunda-feira (25), o Centro das Indústrias do Pará, entidade vinculada à Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), também declarou apoio ao ministro do Meio Ambiente e ao presidente Jair Bolsonaro.

ONGs questionam marcas

ONGs como o Observatório do Clima e o Greenpeace questionaram nas redes sociais empresas colegiadas das associações e entidades de classe que assinaram o manifesto pró-Salles. As empresas Avon e Natura, que integram o Conselho da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), e o complexo turístico Beach Park, que integra a Associação para o Desenvolvimento Imobiliário e Turístico do Brasil (ADIT Brasil), afirmaram que não foram consultadas sobre o anúncio e que não concordam com o posicionamento das entidades.

"Os índices de desmatamento no Brasil são alarmantes e existe uma urgência real por mais fiscalização e cumprimento da legislação. A gente discorda dessa manifestação de apoio", disse a Natura.

O Boticário** também se manifestou contra o anúncio e solicitou à ABIHPEC um pedido de retirada de assinatura do manifesto. "Informamos que na~o apoiamos a posiça~o das associações que assinaram o manifesto sobre o meio ambiente. Reiteramos nossa posiça~o em relaça~o à necessidade e à importancia da preservaça~o do meio ambiente e o nosso papel historico de mais de 30 anos atuando para a conservaça~o da natureza".

Outras empresas como o grupo Bourbon de hotéis, os resorts Txai, a L'Occitane, a Mars (Whiskas, Pedigree e Royal Canin), a licenciadora da marca Turma da Mônica, a Batavo e a Marfrig negaram apoio ao anúncio. As marcas afirmaram que não foram comunicadas sobre o anúncio assinado pelas associações setoriais se e que não concordam com o conteúdo.

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