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Agricultura familiar chega a 84%

OESP, Economia, p. B11
01 de Out de 2009

Agricultura familiar chega a 84%
Presença dessa produção na cesta básica do brasileiro é forte

Jacqueline Farid
Rio

A agricultura familiar tem forte peso na cesta básica dos brasileiros, segundo revela o Censo Agropecuário do IBGE. Dos 5,2 milhões de estabelecimentos agropecuários do País, 4,4 milhões, ou 84%, eram desse tipo.

Para o secretário executivo e ministro interino do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Daniel Maia, isso é motivo de comemoração. "Há um conjunto de ações que garantem segurança e estabilidade para o produtor, como o Pronaf (Plano Safra da Agricultura Familiar) e a Previdência Rural. Antes, os produtores migravam para a cidade e agora podem ficar no campo."

O alcance da agricultura familiar na produção de algumas culturas brasileiras impressiona. Esse tipo de exploração da terra foi responsável por 87% da produção nacional de mandioca, 70% de feijão, 46% do milho, 38% do café, 34% do arroz, 21% do trigo e, na pecuária, 58% do leite, 59% do plantel de suínos, 50% das aves e 30% dos bovinos.

No entanto, a área média dos estabelecimentos familiares (18,37 hectares) é muito inferior a dos não familiares (309,18 hectares). Os dados não são comparativos aos censos anteriores porque foram apurados de acordo com a nova lei que define a agricultura familiar.

Dos 80,25 milhões de hectares da agricultura familiar, 45% eram destinados a pastagens, 28% com matas, florestas ou sistemas agroflorestais e 22% com lavouras. No que diz respeito à escolaridade, entre os 11 milhões de pessoas da agricultura familiar e com laços de parentesco com o produtor, quase 7 milhões (63%) sabiam ler e escrever.

Energia elétrica

O porcentual de estabelecimentos agropecuários do País que possuíam energia elétrica saltou de 39% para 68% em 10 anos, segundo a sondagem. Nesse período, o maior aumento ocorreu na Região Nordeste, passando de 19,9% para 61,5%, chegando a 1,5 milhão de estabelecimentos rurais. Segundo o Censo, a energia elétrica comprada de distribuidora está presente em 3,25 milhões de estabelecimentos (92,4% do total com energia) e, além disso, em 7,7% há energia elétrica obtida por cessão. Em 2,1%, a energia elétrica é gerada na propriedade.

30% dos agricultores não sabem ler
No campo, 13,2 milhões de pessoas têm pouco ou nenhum acesso à educação e só 3% têm ensino superior

Jacqueline Farid
Rio

Mais de um terço dos 16,5 milhões de agricultores brasileiros é analfabeto ou não têm estudo. O Censo Agropecuário 2006, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que a baixa escolaridade persiste e 39% dos produtores agropecuários não sabem ler e escrever ou o fazem precariamente, sem estudo formal.

Se forem acrescentados a esse grupo os produtores que têm ensino fundamental incompleto, que correspondem a 43% do total, o censo revela que 80% dos agricultores, ou cerca de 13,2 milhões de pessoas, têm pouco ou nenhum acesso à educação. Somente 3% têm ensino superior.

Para o secretário executivo e ministro interino do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Daniel Maia, esse é um dos dados preocupantes dos resultados apresentados ontem pelo instituto. Foi a primeira vez que o censo mediu escolaridade dos produtores.

De acordo com o levantamento, as Regiões Norte (38%) e Nordeste (58%) concentram os maiores porcentuais de produtores analfabetos ou sem nenhum ano de estudo, enquanto Centro-Oeste (13%) e Sudeste (11%) têm os maiores porcentuais de produtores com ensino técnico agrícola ou ensino médio completo.

O censo revelou também uma redução no ritmo de queda na ocupação no campo na última década: o número de pessoas caiu 7,2% entre 1996 e 2006, mas o recuo foi menor do que o apurado entre os censos de 1985 e 1996, quando chegou a 23,3%.

A pesquisa mostra ainda que houve certa estabilidade no número de ocupados por estabelecimento agrícola, que caiu quase à metade de 1920 a 1940, passando de 9,74 para 5,33 pessoas, ficou estável pelos 10 anos seguintes e, a partir de 1960, oscilou entre três e cinco, chegando a 3,2 no censo divulgado ontem.

A queda no número de ocupados coincide com a continuidade do processo de mecanização no campo. De acordo com o censo, 530 mil estabelecimentos, ou 10,2% do total, tinham tratores, que somavam 820 mil unidades.

O acréscimo de apenas 20 mil tratores nos estabelecimentos agrícolas entre 1996 e 2006 pode parecer pequeno, mas, segundo o coordenador do censo, Antonio Carlos Florido, houve uma substituição de tratores de menor potência (menos de 100 cv) por tratores de maior potência. Os veículos mais fortes (acima de 100 cv) somam 250 mil unidades, 99,4% mais que o total apurado em 1996.

Houve também um forte incremento na produção de culturas mais mecanizadas e de elevada produtividade, como a soja, que apresentou um aumento de 88,8% na produção na última década, alcançando 40,7 milhões de toneladas segundo o último levantamento. Grande parte do incremento esteve localizada na região Centro-Oeste.

Não se pode mais depender só de São Pedro, diz produtor
Uso de tecnologia ajuda a reduzir a área plantada no País

José Maria Tomazela
Itapetininga (SP)

O agricultor José Augusto do Nascimento Pavan, produtor de grãos em Itapetininga, a 162 km de São Paulo, levou para o campo o conhecimento que adquiriu no curso de administração de empresas. Ele está entre os 19,6% dos produtores rurais brasileiros que têm o ensino fundamental completo ou mais, segundo o Censo Agropecuário 2006. Pavan considera o estudo e a tecnologia aliados indispensáveis do produtor. "O custo de produção subiu muito e não se pode mais depender só de São Pedro."

Seu sítio, com 320 hectares de área cultivada todo ano, está entre 22% de propriedades rurais que recebem assistência particular, embora também conte com a assistência de órgãos do Estado. "Numa emergência, peço a ajuda de quem está mais perto", disse, enquanto examinava um lote de trigo com o agrônomo Edegar Petisco, responsável pela Divisão de Sementes da Secretaria Estadual de Agricultura.

O produtor está entre os 10% de agricultores que têm tratores e outras máquinas. Além de equipamentos para plantio direto, ele possui sistemas de irrigação e colheitadeiras. A mecanização possibilitou a redução de 20% na mão de obra fixa da propriedade - o censo mostra que o número de pessoas ocupadas nos estabelecimentos agrícolas do País caiu 7,2% em 10 anos. A aplicação de fungicidas, por exemplo, passou a ser feita com avião, algo ainda raro no Brasil, onde 70% dos produtores fazem a aplicação de agrotóxicos com o uso de bombas costais.

Pavan faz parte do grupo de produtores que contribuiu para reduzir em 23,6 milhões de hectares, em 10 anos, a área cultivada no Brasil. Nos últimos três anos, ele diversificou as atividades e reduziu em 40% o plantio de grãos. "Por causa do custo alto, devolvi algumas áreas que arrendava de terceiros."

Ele entrou no negócio da grama para jardinagem e iniciou um projeto de pecuária em regime de semiconfinamento. "O momento é pouco favorável para a produção de grãos", disse.

OESP, 01/10/2009, Economia, p. B11

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