Viaecológica-Brasília-DF
24 de Jun de 2004
Entidades de pequenos e médios agricultores estão pedindo urgência na regularização fundiária da Amazônia, onde impera a grilagem de terras, bem como a reabertura de trecho da ex-rodovia Transamazônica, da época da ditadura, hoje abandonada. Uma delegação de quarenta agricultores e representantes de associações, sindicatos de trabalhadores, vereadores e líderes comunitários de 13 municípios da Região Amazônica, participaram hoje (24) da sessão solene da Câmara dos Deputados pelos 34 anos de abertura da rodovia BR-230, a Transamazônica, numa comemoração a princípio mal vista pela esquerda, que se lembra do que significou Transmazônica nos anos de chumbo. De acordo com Juraci Dias da Costa, coordenador da Federação dos Trabalhadores da Agricultura e do Movimento pelo Desenvolvimento da Amazônia, o objetivo da vinda a Brasília é sensibilizar os deputados e o governo federal para a situação da rodovia. A região, explicou Costa, é muito produtiva e tem mais de 1 milhão de habitantes que precisam do apoio para produzir e ter condições dignas de moradia. O temor dos ambientalistas é que a revitalização da estrada atráia mais gente e aumente o chamado vetor de destruição da floresta. Os manifestantes pedem ao governo garantia, no orçamento do próximo ano, dos recursos necessários para recuperação e asfaltamento definitivo da Transamazônica. Segundo Costa, assim será possível alavancar a produção, o programa de eletrificação rural e o ordenamento territorial, com o uso sustentável dos recursos naturais. "A mais urgente das nossas reivindicações, além da recuperação e do asfaltamento da estrada, é o ordenamento do território, uma vez que grandes áreas estão sendo rapidamente ocupadas e griladas por grandes grupos econômicos de outras regiões do país", afirmou Dias Costa. A sessão serviu também para o lançamento do vídeo "Transamazônica: o outro lado da rodovia" e da exposição "Transamazônica: a fronteira do sonho", da fotógrafa Paula Sampaio, no hall de Taquigrafia da Câmara. Durante toda a semana, os agricultores participaram de audiências nos ministérios e estão tentando agendar uma audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No encontro no Ministério do Meio Ambiente, segundo a coordenação da delegação, a ministra Marina Silva prometeu que fará o zoneamento econômico-ecológico da região, com a implantação das unidades de conservação. Do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, a delegação ouviu que estão sendo providenciados os recursos para pagar as empreiteiras que estão fazendo a recuperação da estrada e que o ministério vai se empenhar para aprovar, no Congresso Nacional, um projeto de lei para garantir os recursos necessários ao asfaltamento da rodovia BR-230. Polícia Federal, Incra e o Ibama também foram visitados pela delegação amazonense. A Rodovia Transamazônica foi iniciada em 1972, pelo então ditador-general Emílio Garrastazu Médici, com um processo de colonização através de projetos de assentamento. A estrada, que começa em Picos (PI), corta outros cinco estados (Pernambuco, Maranhão, Pará, Amazonas e Acre), num total de mais de 5 mil quilômetros. Foi usada como instrumento de propaganda da ditadura, inclusive para fomentar a idéia do ufanismo conquistador da Amazônia, enquanto se mantinha uma guerra suja com as esquerdas. (Veja também www.mst.org.br, www.gta.org.br, www.fetag.org.br, www.camara.gov.br, www.radiobras.gov.br).
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