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Agricultores impedem hidrelétrica de cortar árvores

OESP, Vida, p. A25
23 de Out de 2004

Agricultores impedem hidrelétrica de cortar árvores

Elder Ogliari
Porto Alegre

Os operários contratados para o corte das matas na área que será inundada pelo lago da usina de Barra Grande foram impedidos, ontem, de trabalhar pelo segundo dia consecutivo. Cerca de 400 agricultores da região montaram acampamentos nas três vias de acesso ao local. Barracas e obstáculos bloqueiam a passagem dos ônibus dos trabalhadores das empresas contratadas para o desmatamento pela Energética Barra Grande S/A (Baesa), construtora da usina de 690 megawatts no rio Pelotas, na divisa entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
As polícias militares dos dois estados enviaram pelotões para a região. Em Pinhal da Serra, soldados tentaram abrir caminho para o ônibus dos operários, mas houve troca de empurrões. O disparo de um tiro, de autoria desconhecida até o final da tarde, acabou com a confusão, mas o ônibus não passou pelo bloqueio.
Os agricultores anunciam que vão receber nos próximos dias o reforço de sindicalistas e ecologistas que estão viajando para a região. Eles querem que a Baesa inclua em sua lista de indenizações e reassentamentos 650 agricultores que trabalham como agregados, meeiros, parceiros e arrendatários. A empresa informa que o cronograma de pagamentos das 1,2 mil famílias reconhecidas como moradores da área de alagamento está em dia.

OESP, 23/10/2004, Vida, p. A25

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