VOLTAR

Agricultor cria jornal artesanal para falar da comunidade quilombola onde vive, no AP

G1 https://g1.globo.com
Autor: Rita Torrinha
03 de ago de 2018

Na comunidade rural quilombola Curiaú, na Zona Norte de Macapá, um agricultor que estudou apenas até a 5ª série do ensino fundamental é personalidade cativa da região. Sebastião Menezes, de 59 anos, criou um jornal artesanal para relatar, denunciar problemas e contar histórias de vida dos moradores.

A necessidade de escrever sobre o lugar onde mora surgiu há 10 anos. As notícias são escritas por ele, passadas para o computador por uma amiga e depois são impressas em papel A4. Tudo é muito simples, mas enche de orgulho o Sebastião, conhecido como Sabá Curió.

"Essa necessidade é uma prática que eu gosto de fazer, mas eu sei mesmo é mexer com a roça. Desde jovem, como eu não tive muito infância, me preocupava com os mais velhos e eu queria desenvolver a comunidade. Com isso eu ficava interagindo com os mais velhos e era preciso escrever o que eles falavam", contou.

Mas é de bicicleta que a publicação mais frequente é entregue de porta em porta por ele, o "Jornal do Quilombo". A notícia virou paixão, segundo ele. Nesse jornal ele noticia tudo o que se passa na comunidade.

"Eu fiquei pensando em como isso poderia chegar a mais gente na comunidade. Aí fiz o jornal e vi que poderia ser mais sério. Daí eu juntei mais pessoas para contar histórias e cada vez mais com maior volume de textos. Tenho apoio de uma amiga que paga a impressão e eu saio rodando a comunidade na minha bicicleta, as vezes deixo em órgãos públicos", relatou.

Sebastião lembra que, depois que o jornal começou a dar certo, a comunidade passou a ajudar em alguns informativos, inclusive com impressões em tamanhos maiores, em papel próprio de jornal e algumas vezes até com impressões coloridas.

Mas aos poucos o projeto foi ficando de lado e atualmente ele voltou a escrever sozinho. Mesmo com quase nada de recurso, o agricultor insiste em manter o jornal em circulação pela vizinhança.

O homem que teve de trabalhar muito cedo para sustentar a família, se alegra em ver a história da comunidade em que vive chegar a mais pessoas. O último exemplar foi o de número 124 e ele já está preparando a próxima edição.

"Na minha época, dificilmente uma pessoa conseguia avançar nos estudos. A gente tinha que trabalhar no meio rural para sustentar a família, e o trabalho era o que dava dignidade para as pessoas. Garanto que naquele tempo não tinha tanta gente de má conduta como tem hoje, porque a gente dava valor ao trabalho. A gente vê a vida de forma diferente e são esses ensinamentos que eu quero que os outros vejam", finalizou.

https://g1.globo.com/ap/amapa/noticia/2018/08/03/agricultor-cria-jornal…

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.