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Agentes da PF começaram a chegar ontem

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: Loide Gomes
21 de Set de 2005

Os agentes que farão a segurança na reserva Raposa/Serra do Sol, durante os festejos pela homologação da terra começaram a chegar ontem em Boa Vista. No início da noite, um avião Caravan do Departamento da Polícia Federal trouxe dez policiais lotados em Manaus (AM). Até o meio dia de hoje deverão chegar mais quarenta e cinco homens.
Eles são do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Pará. O restante do efetivo virá de Brasília, mas o superintendente em exercício da Polícia Federal em Roraima, delegado Ivan Herrero, disse desconhecer o número de policiais que serão deslocados da capital federal. Todos estes agentes integram uma força especial da Polícia Federal especializada no controle de distúrbios civis.
A operação, segundo o superintendente, visa ao cumprimento da missão constitucional da Polícia Federal que é garantir a segurança e a ordem pública na terra indígena, além de investigar e coibir conflitos como o que houve na Missão Surumu.
Para isso, os agentes não usarão armamento pesado geralmente empregado nas ações de combate ao crime, mas munição de borracha, escudos e cassetetes para dispersar multidões.
As equipes serão deslocadas para a terra indígena no período da tarde e deverão fazer o patrulhamento em comboio e não separadamente, para evitar que policiais federais sejam novamente tomados por reféns, como aconteceu em abril.
O trabalho será concentrado na rodovia que dá acesso ao Maturuca, sobretudo nas pontes e na balsa do Passarão. De acordo com o superintendente, entre Surumu e o Maturuca há 15 pontes de madeira que poderiam ser alvejadas pelas facções contrárias à homologação, que na madrugada de sábado incendiaram no Surumu a primeira missão da Igreja Católica em Roraima. Ontem circulou a informação de que duas pontes foram incendiadas, mas não houve confirmação.
A ação contará com o apoio da Polícia Rodoviária Federal e do Exército. A Polícia Federal, no entanto, não informou quantas viaturas e agentes serão disponibilizados pela PRF nem se o Exército colocará suas tropas na reserva ou se dará apenas apoio logístico.
O maior temor dos responsáveis pelo planejamento da operação é o seqüestro de autoridades, que serão todas levadas de avião para a aldeia Maturuca, onde será realizada uma cerimônia de homenagens a pessoas que contribuíram para o processo de reconhecimento da reserva Raposa/Serra do Sol.
A visita do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos está cercada de mais cuidados que a das outras autoridades federais. Sua vinda ou não a Roraima será uma surpresa, para não dar tempo à preparação de qualquer ação em retaliação à sua presença no Estado.
A vinda de Thomaz Bastos, que em função da crise política transformou-se no principal porta-voz do presidente Luis Inácio Lula da Silva, influenciará inclusive o número de agentes na região. Caso ele não venha, o patrulhamento será feito por sessenta policiais. Mas se realmente decidir participar dos festejos, esse número subirá para cem homens, como havia sido previsto no planejamento inicial da operação.
Herrero afirmou ainda que o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto, foi o único que confirmou participação nos festejos e que estava aguardando para a noite de ontem o desembarque do presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio), Mércio Gomes.

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