Valor Econômico, Brasil, p. A4
Autor: CHIARETTI, Daniela
10 de Set de 2015
Agenda sustentável vai à ONU sem dinheiro novo
Por Daniela Chiaretti
No fim de setembro, uma cúpula de chefes de Estado adotará em Nova York a agenda do desenvolvimento mundial para os próximos 15 anos. Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), negociados pelos países das Nações Unidas nos últimos três anos e que tratam de energia, água e lixo assim como da paz mundial e erradicação da pobreza, serão encampados, contudo, sem promessas de dinheiro novo para as metas. Por isso, uma coalizão de ONGs do setor privado, sociedade civil e governos locais quer incentivar os compromissos assumidos pelo Brasil estimulando políticas públicas.
"Sabemos do momento difícil que o Brasil e o mundo passam, mas enxergamos os ODS como uma agenda de oportunidades", diz Sergio Andrade, diretor executivo da Agenda Pública, ONG que trabalha com gestão pública e é uma das entidades que lançaram ontem, em São Paulo, a "Estratégia ODS", articulação que discute como implementar estes compromissos no Brasil. "Os ODS não são novidade do ponto de vista da agenda internacional. É um movimento contínuo que busca traduzir o desenvolvimento como algo multidimensional. Desenvolvimento é olhar para a renda das pessoas, dar foco ambiental e visão social também", continua.
Os ODS, com 169 metas, serão adotados durante a 'Cúpula do Desenvolvimento Sustentável - 2015", de 25 a 27 de setembro, convocada pelo secretário-geral da ONU Ban Ki-moon. Já confirmaram presença 165 chefes de Estado. A presidente Dilma Rousseff fará o discurso de como o Brasil pretende implementar as metas no domingo de manhã, dia 27. À tarde será a vez do presidente Barack Obama.
A construção de uma agenda de desenvolvimento para o mundo, que substitua os Objetivos do Milênio (ODM), iniciados em 2000 e com prazo até 2015, começou na Rio+20, a conferência de desenvolvimento sustentável da ONU no Rio de Janeiro, em 2012.
"Qualquer processo de transformação nas sociedades leva um bom tempo, sobretudo quando mexe com interesses econômicos e políticos", diz Jorge Abrahão, presidente do Instituto Ethos, que também compõe a articulação. "Mas há aqui a possibilidade de fazermos uma inflexão para um novo modelo de desenvolvimento, até porque o atual está mostrando há muito tempo uma série de fragilidades", segue. Ele lembra que entre os ODS há vários que interessam diretamente às empresas, como água e energia, por exemplo. "A discussão agora é como isso tudo aterrissa no nosso país."
Falta agora acertar quais serão os indicadores globais que irão medir o progresso na implementação das metas, o que deve ser concluído em março. No Brasil, a "tropicalização" destes indicadores é capitaneada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "Se não conseguirmos medir, não teremos avanços nestas questões", diz Heloisa Helena Silva de Oliveira, presidente da Fundação Abrinq, que faz parte da coalizão de ONGs. Segundo levantamento da Abrinq, 51 das metas dos ODS se relacionam à infância e adolescência. "A implementação dos ODS é um caminho para ser colocado na pauta das eleições de 2016", sugere ela.
A coalizão de ONGs e instituições conta ainda com a Frente Nacional de Prefeitos (FNP) e o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVces) além da Fundação Avina, Rede Nossa São Paulo, Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife) e a Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais (Abong). O grupo se compromete com cinco compromissos: avaliar a implementação das metas, mobilizar e articular, estimular políticas públicas e buscar avanços reais. Lançou também um canal de informações, a "Plataforma ODS".
No dia 28 de setembro, Dilma deve fazer o discurso de abertura da 70ª Assembleia Geral da ONU, como de costume. Pode haver, porém, uma surpresa. O governo trabalha com a intenção de o Brasil divulgar seu plano de redução de emissões de gases-estufa e adaptação à mudança do clima (INDC, na sigla em inglês) no evento em Nova York. Trata-se do compromisso assumido por todos os países, de divulgarem sua meta de corte de emissões de gases-estufa antes da conferência do clima de Paris, a CoP-21, em dezembro.
Valor Econômico, 10/09/2015, Brasil, p. A4
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