CB, Opinião, p. 27
Autor: FILETO, Adriana
21 de Mar de 2009
Agenda internacional da água
Adriana Fileto
Mestre em administração (UFMG), sócia da Rede Três - Educação e Consultoria para a Sustentabilidade e consultora do Instituto Akatu
Amanhã será comemorado o Dia Mundial da Água. A data que foi criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1992, requer atenção especial de todos nós, que devemos refletir bem sobre o uso que fazemos da água. A água é um bem renovável, mas finito e escasso. De todas as águas existente no planeta, 97% são salgadas, 3% doce e menos de 1% está disponível para consumo. Nos próximos 20 anos, a quantidade de água disponível para cada pessoa no mundo será reduzida em um terço. Para se ter uma ideia, nós temos hoje 6,5 bilhões de pessoas no mundo e, destas, 2 bilhões não têm acesso à água potável. No Brasil, 22 milhões de pessoas não têm acesso à água potável. Segundo o Instituto Akatu, que trabalha em prol do consumo consciente, no nosso país 60% das doenças tratadas pelo sistema público de saúde têm origem na má qualidade da água.
A falta ou escassez de água potável provoca sede, doenças, morte de pessoas, plantas e animais, enfim gera um completo desequilíbrio ambiental. Para se obter mais água limpa, buscam-se novas fontes de água e gastam-se mais recursos para tratar água imprópria para o uso. Todo esse processo para aumentar a oferta de água potável acaba encarecendo o seu tratamento e consequentemente provocando o aumento de impostos.
Assim, aqueles que desperdiçam água acabam, no final das contas, pagando mais impostos e obrigando outros a pagarem mais para ter acesso à água limpa. Para se evitar o desperdício desse líquido tão precioso para a vida, é importante que pensemos também no uso que fazemos da chamada água virtual.
Pouca gente sabe, mas existe também a água virtual. A água que gastamos não é só aquela que sai da torneira, pois tudo o que é produzido gasta água. Essa água que você não vê, mas que está presente na fabricação de qualquer produto, é chamada de água virtual.
Assim, por exemplo, até para produzir carne se gasta muita água, pois é preciso levar em conta toda a água utilizada no processo de produção, desde o plantio do pasto que alimenta o gado até o combustível utilizado no veículo que transporta a carne aos açougues.
A quantidade de água virtual utilizada varia de produto para produto. Enquanto para se produzir um quilo de carne são necessários pelo menos 13.500 litros de água, para se produzir um quilo de soja são necessários 2.300 litros.
A cada ano que passa as discussões sobre a importância e a escassez de água ganham mais força. Desde 16 de março de 2009 está sendo realizado em Istambul, na Turquia, o V Fórum Mundial das Águas, que insere a questão da água na agenda internacional. O objetivo central do evento é, mediante a colaboração global, buscar soluções para os principais problemas do setor, que são o acesso à água e a falta de saneamento básico. Segundo a ONU, cerca de 2,6 bilhões de pessoas no mundo vivem sem saneamento básico e 1,5 bilhão não têm acesso à água potável. O evento é realizado trienalmente pelo Conselho Mundial da Água, em colaboração com países convidados.
O Brasil participa do Fórum Mundial das Águas apresentando a Carta de Minas para as Águas, documento elaborado com base nos trabalhos desenvolvidos na Conferência Internacional Diálogos da Terra no Planeta Água, realizado em Belo Horizonte, em novembro de 2008, constituindo-se em um dos mais importantes fóruns de discussão da sustentabilidade do planeta e que, pela primeira vez, foi realizado na América Latina.
A sustentabilidade é mais do que nunca uma questão das mais importantes da agenda global, e o Brasil, sem dúvida alguma, como detentor de 17% das reservas de água doce do mundo, segundo a ONG WWF-Brasil, terá muito a contribuir com as discussões em Istambul, no Fórum Mundial das Águas. O desenvolvimento sustentável, embora seja objetivo difícil de ser alcançado, é possível, mas são imprescindíveis a união, a cooperação e a solidariedade de todos. A Carta de Minas para as Águas finaliza dizendo: "O sonho de um desenvolvimento sustentável, economicamente viável, socialmente justo e ecologicamente equilibrado, se faz realidade se continuarmos unidos pelo diálogo, e fortalecidos pela certeza de que é possível mudar, cada um fazendo a sua parte, e acabando com a cultura de 'esperar que os outros e o governo façam por nós' ".
CB, 21/03/2009, Opinião, p. 27
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.