VOLTAR

Aécio nega existência de trabalho escravo em Minas Gerais

O Globo, O País, p. 3
30 de Jan de 2004

Aécio nega existência de trabalho escravo em Minas Gerais

Walter Huamany

O assassinato de três fiscais e um motorista do Ministério do Trabalho durante uma operação de fiscalização em fazendas na zona rural de Unaí levantaram novos indícios sobre a existência de trabalho escravo em Minas Gerais. Uma das suspeitas é de que o crime foi cometido por pistoleiros, a mando de fazendeiros que exploram a mão-de-obra. Mas o governador Aécio Neves negou a existência de trabalho escravo em Minas.

- Gostaria de fazer uma consideração importante, até mesmo para que não estigmatizemos um estado e em particular uma região. Minas Gerais não tem, há muito tempo, registro de trabalho escravo - garantiu Aécio.

O governador admitiu que existe hoje trabalho em condições precárias e alguns conflitos no campo. Mas garante que Minas Gerais, em relação a outros estados, ainda está numa posição privilegiada. Aécio teme que a fama inverídica possa marcar uma região extremamente produtiva do estado.

Já para Benício de Castro Cabral, presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco) em Minas, não existem dúvidas de que há escravidão no estado. Segundo ele, as denúncias sempre existiram e os fiscais trabalham quase sempre sem segurança e estão expostos a todo tipo de perigo. Cabral garante que basta viajar com um fiscal para as regiões das grandes fazendas para constatar que existe o crime.

- Quem diz que não tem trabalho escravo mente - afirmou Benício.

Nilmário Miranda concorda com Aécio

Mas a avaliação de Aécio é a mesma do secretário nacional dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda. Nilmário afirmou que houve no passado denúncias de mão-de-obra escrava, e particularmente, de trabalho infantil nas carvoarias de Minas Gerais. Mas afirmou que hoje não há mais registro deste problema.

- Temos trabalhos em péssimas condições, mas não trabalho escravo - assegurou.

Luiz Fernando, auditor do Ministério do Trabalho que já atuou na região onde os fiscais foram mortos, disse que o trabalho escravo, como historicamente se convencionou chamar, não é visto no noroeste de Minas. Mas garantiu que muitos trabalhadores estão bem perto disso.

- Existe gente trabalhando em condições precárias, degradante. Trabalhadores sem alimentação, moradia, contrato de trabalho, entre outras irregularidades - disse.

O Globo, 30/01/2004, O País, p. 3

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.