Radiobrás-Brasília-DF
Autor: Thaís Brianezi
03 de Out de 2005
O advogado Luís Waldemar Albrecht, que defende os dois tuxauas (caciques) acusados de liderar o atentado contra a aldeia Raposa Serra do Sul, acusa a Fundação Nacional do Índio (Funai) de dificultar o seu trabalho. "Para entrar com um pedido de relaxamento de prisão, preciso comprovar que eles têm residência fixa. Mas desde sexta-feira [30 de setembro] aguardo que a Funai emita o documento. Seria um trabalho de cinco minutos: sentar no computador e imprimir", relata ele.
"A demora só mostra que a Funai está indo contra os interesses desses indígenas, justamente porque eles se manifestaram publicamente contra a homologação da terra indígena Raposa Serra do Sol."
O administrador regional da Funai, Gonçalo Teixeira, rebateu as críticas. Segundo ele, para emitir o documento solicitado, a Funai precisa de um abaixo-assinado dos indígenas moradores das aldeias do Contão e Taxi II, nas quais os acusados Genival Costa da Silva e Fernando Silva Salomão, respectivamente, são lideranças. "Já solicitamos ao chefe do posto da Funai que recolha as assinaturas necessárias. Além disso, até agora, ninguém solicitou ajuda na defesa deles", completou.
Fernando Silva Salomão é membro da Sociedade de Defesa dos Indígenas Unidos do Norte de Roraima (Sodiur). Na quarta-feira (28), dia seguinte à sua prisão, ele telefonou para o diretor da entidade, José Novaes, para pedir ajuda. "Eu pretendo ir hoje à Funai, ver o que pode ser feito", contou Novaes.
Albrecht é procurador-geral de Pacaraima, município no qual Genival Costa da Silva é vereador do PFL e que tem como prefeito o maior produtor de arroz do estado, Paulo César Cuartieiro. "Estou defendendo o Genival (Costa da Silva) porque ele é vereador. E defendo também o Fernando (Silva Salomão) por uma questão de compromisso, porque assessoro a Sodiur em outras causas, que estão em andamento", justificou o advogado.
A Polícia Federal acusa Genival Costa da Silva e Fernando Silva Salomão de comandarem a ação criminosa na qual cerca de 150 homens armados e encapuzados, entre indígenas e não-indígenas, queimaram o hospital, a igreja, a escola e o centro de formação cultural da aldeia Raposa Serra do Sul (antiga vila missionária Sumuru), na terra indígena Raposa Serra do Sol. O atentado ocorreu no dia 17 de setembro e a prisão preventiva dos dois tuxauas foi decretada pela Justiça Federal no dia 27.
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