Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
24 de Out de 2004
O advogado Illo Augusto, acusado pelos índios ligados ao CIR (Conselho Indígena de Roraima) de ser o suposto vaqueiro que atirou contra o índio João Moreira Hermínio, disse que é dono da fazenda e que a propriedade está fora dos limites da área indígena Raposa/Serra do Sol, pois está localizada na faixa de fronteira.
Segundo contou, a fazenda "Manga braba" está localizada na margem direita do rio Maú e pertencia a Lourenço Rartz, que dividiu a propriedade para os dez filhos. "Na verdade, a fazenda pertence ao meu filho, mas como ele é de menor eu é que repondo por ela", disse.
O advogado afirmou que não estava na fazenda e que, conforme contou o vaqueiro dele, José Roberto Frederico, os sete indígenas chegaram armados com uma espingarda, terçado e machado tentando entrar na propriedade.
"O meu vaqueiro foi avisar que lá era propriedade particular, mas recebeu uma ameaça de morte. Quando o índio preparava a arma para atirar, meu vaqueiro se agarrou com ele e travaram luta corporal pela posse da arma. Até que houve o disparo acidental, atingindo o índio na perna", disse Illo.
O advogado disse que tomou conhecimento do ocorrido no dia seguinte. "Meu vaqueiro, que também é índio, disse que eles traziam utensílios de pesca", complementou.
O igarapé citado pelos índios, disse Illo Augusto, é um bueiro que vaza durante o inverno e deságua para a fazenda dele e que no verão seca. Conforme detalhou, já existe uma rixa antiga entre o vaqueiro e um dos indígenas, que não aceita o "parente" trabalhando para não-índios. Na próxima terça-feira, o vaqueiro vai se apresentar para depor na delegacia de Normandia
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