Estadão do Norte-Porto Velho-RO
03 de Set de 2002
A assessora jurídica da Coordenação Regional do CIMI - o Conselho Indigenista Missionário, advogada Maria Cecília Filipini, desmentiu ontem notícias, atribuídas a ela, de que os funcionários da Funai - a Fundação Nacional dos Índios - recebem altos salários, sem nada fazerem para evitar as invasões das reservas indígenas. Reafirmou, no entanto, que, com a expansão agropecuária e a colonização, os índios foram violentamente empurados e encurralados entre os invasores.
Filipini procurou deixar bem claro que não tem nada contra os funcionários da Funai - e até acha que eles têm feito muito pelos índios, se for levado em consideração a falta de condições humanas e financeiras. Da mesma forma, lembrou que tem um bom relacionamento com o órgão oficial indigenista e com todas as lideranças indígenas de Rondônia, que têm facilitado sobremaneira o trabalho do CIMI.
No entanto, à bem da verdade, muitos índios de Rondônia já estão vivendo uma situação dramática. Sem terras para habitar, alguns estão migrando para os grandes centros urbanos, engrossando os bolsões de miséria. A reportagem de O ESTADÃO DO NORTE apurou que a omissão deliberada da Funai está levando as comunidades indígenas a um estado de "extrema penúria", enquanto que as autoridades competentes apregoam o contrário, e preferem até nem falar sobre o assunto.
"Os que sobreviveram às epidemias e aos massacres, em sua quase totalidade, tiveram suas terras consideravelmente reduzidas; muitos foram expulsos de suas terras ou deslocados para terras tradicionais de outros povos. Muitos indígenas foram forçados a conviver e trabalhar em seringais, na extração de látex, poaya e caucho. E as mulheres indígenas forçadas a casarem com seringueiros", diz Filipini.
Entre os índios que perderam suas terras e foram obrigados a conviver em áreas de outros povos, estão os Aruá, Jaboti, Aricapú, Campé, Macurap, Ajurú e Cujubim. "Partes desses índios, entretanto, vivem desaldeados. Outros perderam tudo mesmo, como são os casos dos Puruborá, Miquelenos e Uro Boni. Vivem desempregados e sem terras para plantar e garantir-lhes meios de sobrevivência; alguns em estado de extrema miséria", denuncia a assessora jurídica do Cimi.
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