VOLTAR

Acordo fracassa e índios voltam a fechar ferrovia

OESP, Nacional, p. A12
15 de Fev de 2006

Acordo fracassa e índios voltam a fechar ferrovia
Indignados com atendimento da Funasa, 500 integrantes de 8 etnias do Maranhão bloqueiam a Estrada de Ferro Carajás e planejam mais ações

Cerca de 500 índios de oito etnias voltaram a bloquear a Estrada de Ferro Carajás ontem, depois que fracassou a negociação com a Fundação Nacional da Saúde (Funasa) e a Fundação Nacional do Índio (Funai). O grupo, que estava reunido em Alto Alegre do Pindaré, protesta contra a situação da saúde nas 17 reservas do Maranhão. Reivindica a reorganização dos distritos especiais de saúde, distribuição de remédios e presença de médicos nos postos das aldeias. Querem ainda um inventário das terras e a garantia de que a fiscalização dos limites será feita pelos índios.
A ferrovia foi bloqueada com toras de madeira e peças de metal no mesmo trecho ocupado há uma semana. Com arcos e flechas e algumas armas de fogo, o grupo avisou que a ocupação é por tempo indeterminado. Segundo representantes do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), os índios ameaçam ampliar o protesto.
Três representantes de Funai e Funasa foram para a região num helicóptero da polícia maranhense, para tentar retomar o diálogo. Os índios alegam que suas exigências não foram cumpridas: a presença do presidente da Funasa, Paulo Lustosa, e o afastamento do coordenador da fundação, Zenildo de Oliveira dos Santos. Mas Lustosa disse a uma rádio local que Zenildo deve ser substituído por Marconi José Cardoso Ramos, da Universidade Federal do Maranhão.
A Companhia Vale do Rio Doce, dona da ferrovia, informou que o trem de passageiros que saiu de Parauapebas para São Luís teve a viagem interrompida em Açailândia. A empresa está fazendo o transporte por ônibus.
Há uma semana, índios interditaram a ferrovia por 48 horas. O grupo fez 5 funcionários da Vale reféns. Libertou-os na quarta-feira, mas sexta-feira tomou 2 funcionárias da Funasa como reféns.
Lustosa alega mal-entendido
O presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Paulo Lustosa, atribuiu a um mal-entendido as críticas ao atendimento de saúde indígena feitas pelo presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Mércio Pereira Gomes. O responsável pela Funai afirmou que as dificuldades de atendimento a comunidades indígenas são resultado da fragmentação da assistência em vários órgãos federais. "Deve ter ocorrido um erro de interpretação, a exemplo do que ocorreu com as afirmações sobre terras indígenas", disse Lustosa. O presidente da Funasa se referia ao fato de, em janeiro, Gomes ter afirmado que os índios já detêm terras demais; depois, o presidente da Funai sustentou que sua frase havia sido mal interpretada. Gomes disse que muitos órgãos federais não têm know how para se relacionar com índios. Lustosa admitiu que isso às vezes ocorre e anunciou a liberação de R$ 52 milhões para ações emergenciais entre indígenas.

OESP, 15/02/2006, Nacional, p. A12

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.