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23 de Mai de 2010
Ações voltadas à saúde básica em aldeias e acampamentos indígenas em todo o Rio Grande do Sul têm resultado na redução dos índices de mortalidade infantil nas tribos. Em 2003, em crianças de até 1 ano, o número de mortes era de 99 bebês a cada mil nascidos. No ano passado, as ocorrências caíram drasticamente, passando a 26 mortes a cada mil nascidos.
Apesar de os números ainda serem considerados altos, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) comemorou a redução. De acordo com o coordenador de Assessoria de Saúde Indígena da entidade, Jair Pereira Martins, o trabalho deverá ser intensificado para que os números sejam reduzidos ainda mais.
Entre as principais frentes que serão priorizadas pela Funasa está a ampliação do acompanhamento nutricional nas crianças com até 5 anos de vida. Os números foram discutidos em um encontro de servidores da Funasa em Porto Alegre, encerrado ontem, no Hotel Conceição (localizado na avenida Salgado Filho). A mortalidade entre crianças com até 5 anos também diminuiu significativamente: de 128 mortes por mil nascidos, em 2003, para 40 mortes a cada mil nascidos, em 2009. Segundo Martins, a redução se deve à construção de 40 postos de saúde em aldeias e à implantação de equipes multidisciplinares que trabalham diretamente com as tribos. "São diversos profissionais da área de saúde e com metade da equipe composta por indígenas", ressaltou o coordenador.
Hoje, são 37 equipes multidisciplinares, 26 consideradas completas, com médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, odontólogo, agentes indígenas de saúde e de saneamento. Os grupos englobam 330 profissionais que atendem a 19,5 mil índios situados em 105 aldeias e 23 acampamentos no Estado.
Para este ano, a Funasa pretende ampliar para, pelo menos, 70% o acompanhamento nutricional a crianças com até 5 anos. Atualmente, os serviços abrangem 49% dessa faixa etária da população indígena. Além disso, os agentes devem ampliar o atendimento a gestantes, assim como a cobertura vacinal em crianças menores de 1 ano.
Até ontem, somente na imunização contra a gripe A, 98% dos índios do Estado receberam as doses da vacina. Mais 14 vacinas de outras patologias serão aplicadas nas tribos neste ano. "Vamos buscar que mais índios sejam imunizados. Existe ainda uma resistência muito forte nas aldeias e nos acampamentos para que esse trabalho seja efetuado, mas temos avançado e atualmente mais indígenas querem se vacinar", relatou Martins.
A partir de dezembro, o Ministério da Saúde contará com uma secretaria especial que assumirá o controle dos serviços em terras indígenas. Durante o evento na Capital, os agentes da Funasa debateram as futuras mudanças. Segundo Martins, entre as medidas que podem ser tomadas está a de índios administrarem as ações em um futuro próximo, devido ao grande número de profissionais da etnia que compõem as equipes multidisciplinares.
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