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Acidente mata 17 índios em Pernambuco

JB, País, p. A6
03 de jun de 2005

Acidente mata 17 índios em Pernambuco

Um acidente com uma van da Fundação Nacional de Saúde provocou ontem a morte de 18 pessoas, entre elas 15 índios da tribo pancararu e um da etnia aticum, o motorista do veículo e um bombeiro que tentava fazer o resgate. No Estado, houve outras cinco mortes em decorrência das chuvas até a noite de ontem.
O acidente aconteceu por volta das 10h30, quando os índios retornavam de Recife, onde foram receber atendimento médico, para Jatobá, na região de Petrolândia, sertão do estado.
A van trafegava na BR-232, em Jaboatão dos Guararapes (região metropolitana de Recife). Chovia forte e ao passar por uma poça de água, o carro ficou sem controle e deslizou alguns metros, antes de capotar e cair no riacho Duas Unas. Apenas o índio pancararu Alfredo Gomes da Silva, 47, sobreviveu ao acidente.
Durante a operação de socorro, o bombeiro Mário Antonio Gomes dos Santos, 30, se afogou. A corda de segurança que o prendia à margem se rompeu e ele foi arrastado pela correnteza.
As equipes de socorro tiveram dificuldades para retirar o veículo, que ficou enganchado na tubulação de escoamento que passa sob a pista. Sete grupos de resgate trabalharam no local.
A coordenadora da Funasa no Estado, Ana Paula Cavalcanti de Pontes, disse que apenas 16 pessoas tinham autorização para viajar e negou inicialmente que a van estivesse superlotada. Disse que o carro tinha capacidade para transportar 15 passageiros, além do motorista Antônio da Silva Barros, que também morreu. Mais tarde, ao saber que havia 17 mortos, o assessor da Funasa informou que os outros dois índios viajaram sem o conhecimento do órgão.
Segundo a Defesa Civil, a chuva atingiu ao menos 16 municípios, deixando 500 desabrigados.
Em Moreno, a prefeitura decretou estado de calamidade pública. Em Amaraji, a 97 km de Recife, cerca de 250 famílias estão desabrigadas. A cidade está em estado de alerta.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), choveu 173 mm em 48 horas, em Recife. O volume equivale a 44,5% da média para o mês de junho.

JB, 03/06/2005, País, p. A6

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