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Autor: Elaíze Farias
07 de Jul de 2011
Antes da chegada do europeu na Amazônia, área das terras pretas era moradia de grandes populações nativas
Uma iniciativa inédita do campo da pesquisa científica vai tentar identificar dados ainda desconhecidos sobre a chamada "terra preta de índio" e a partir destes estudos buscar meios para ajudar na agricultura da Amazônia. O solo da terra preta de índio é considerado o mais fértil da região.
A partir desta sexta-feira (08), uma equipe composta por 40 pesquisadores de 14 instituições do Brasil e do exterior vai iniciar uma atividade batizada de Sítio-Escola em Terra de Índio. O trabalho será desenvolvida durante três anos, mas esta primeira etapa vai durar um mês.
As escavações acontecerão em uma área de 23 hectares (além das proximidades) localizado no campo experimental Caldeirão, pertencente à Embrapa Amazônia Ocidental, no KM-10 da rodovia AM-070, zona rural do município de Iranduba (a 27,07 quilômetros de Manaus).
População
Segundo Bruno Moraes, coordenador do curso superior de tecnologia em Arqueologia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), datações apontam que a terra preta de índio teve como auge o período compreendido entre os séculos 8 e 12 D.C.
Pesquisas preliminares indicam que estas terras eram resultados de ações humanos e que, provavelmente, sediava a moradia de populações numerosas antes da chegada do colonizador europeu.
"A importância dessa pesquisa é que podemos identificar dados sobre o que se cultivava nessas terras, obter informações como as populações viviam e que atividades desenvolviam", explicou Moraes, que fará parte da equipe.
O pesquisador da Embrapa e coordenador geral do projeto, Orlando Paulino, explicou que a atividade que começa nesta semana é a oportunidade de cientistas das mais variadas áreas trabalharem conjuntamente no solo da terra preta de índio.
"Vamos ter pesquisadores não apenas de arqueologia, mas de química de solo, física do solo, microbiologia do solo, etc. Até agora os estudos nestas terras eram espacializados, esporádicos, pontuais. A partir de agora será a primeira que a pesquisa reunirá 14 instituições fazendo prospecção da qualidade deste solo em termos de fertilidade e de nutrientes", disse Paulino.
Bruno Moraes reitera a importância da presença de diferentes visões do conhecimento. "A gente faz o viés arqueológico. Mas agora a pesquisa terá também pesquisadores em microbiologia, fauna, ecologia, pedologia (solo), enfim. Isso com a proposta de tentar entender o processo de formação da terra preta".
No campo da arqueologia, a terra preta de índio integra a modalidade ecofatos, que matérias orgânicas que ajudam nas modificações de paisagem. O outro grupo é o artefato, composto por objetos, como cerâmicas.
A relevância de se ter acesso a mais informações sobre este solo é que ele pode desconstruir discursos científicos anteriores que apontavam para o fato de que na Amazônia, antes da chegada do colonizador europeu, viviam apenas grupos pouco numerosos.
Segundo Moraes, acredita-se que a descoberta da terra preta de índio indica que aqui viviam "ou muita gente ao mesmo tempo ou gente o tempo todo".
Fertilidade
De acordo com informações da assessoria de comunicação da Embrapa, o órgão pesquisa solos de Terras Pretas de Índio na Amazônia com o objetivo de criar um modelo de formação e evolução destas áreas, focando os estoques e a dinâmica do carbono, fósforo e cálcio.
A partir do estudo das terras pretas vem sendo desenvolvidas técnicas para reproduzir semelhante fertilidade, que é o caso do Biochar (carvão vegetal) - produzido a partir da carbonização de biomassa de resíduos orgânicos.
Participam deste "Sítio-Escola" pesquisadores das seguintes instituições: Embrapa Amazônia Ocidental (Amazonas), Embrapa Solos (Rio de Janeiro), Embrapa Florestas (Paraná), Serviço Geológico do Brasil (CPRM - RJ / CPRM - AM), Universidade de São Paulo/ Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE - USP), Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq - USP), Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA), Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Universidade de Wageningen (Holanda).
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