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Acadêmicos indígenas cobram pagamento

Folha Web - http://www.folhabv.com.br/
Autor: Vaneza Targino
19 de Abr de 2011

Acadêmicos indígenas estão cobrando o pagamento das bolsas de estudo para cerca de 150 alunos da Fundação Nacional do Índio (Funai). Uma pequena manifestação pelo atraso foi realizada na manhã de ontem, em frente à sede do órgão, na véspera do Dia do Índio.

São duas categorias de bolsa de estudo: uma para acadêmicos em licenciatura e bacharéis; e outra para professores do Núcleo Insikiram, na Universidade Federal de Roraima (UFRR). A ajuda mensal é de R$ 214,00 e R$ 300,00 para financiar transporte e material didático. O programa é da Comissão para Questões de Acesso e Permanência de Indígenas no Ensino Superior (Cqapies) da Funai.

Os acadêmicos do Núcleo Insikiram, dos cursos de gestão territorial indígena (GTI) e licenciatura intercultural, são professores voluntários e 68 deles estão há quatro meses sem receber o valor de R$ 300,00. Segundo o estudante Davi Taurepang, a ajuda de custo para eles é muito importante, pois estão sem trabalhar e se dedicam exclusivamente aos estudos. "Esse valor nos mantêm e ajuda muito. Por isso estamos cobrando o pagamento", justificou.

Já Alex Makuxi, 20 anos, acadêmico de história da UFRR, representa 70 bolsistas das universidades e faculdades particulares. Ele liderou a manifestação e explicou a necessidade de a Funai agilizar o pagamento do benefício. Ele ressaltou que muitos acadêmicos indígenas dependem exclusivamente da bolsa e o atraso no pagamento causa muitos prejuízos, inclusive a evasão e desistência.

"Esse valor de R$ 214,00 é muito importante. Muitos se alimentam e pagam várias despesas para se manterem na cidade. Quando a bolsa atrasa, o aluno passa por muitas dificuldades. Alguns estudam o dia inteiro e não dá para conciliar trabalho e estudo. Quem tem parentes na cidade é mais fácil. Mas quem paga aluguel fica prejudicado com o atraso", comentou.

FUNAI - O coordenador substituto da Funai em Roraima, Petrônio Laranjeira Barbosa, confirmou que o pagamento das bolsas está em atraso há pelo menos três meses. Explicou à Folha que o atraso ocorreu devido a um erro em alguns dados de acadêmicos.

"Houve um erro identificado pela Secretaria de Educação da Funai na relação dos nomes para a liberação dos pagamento. Os números de três CPFs [Cadastro de Pessoa Física] estavam errados. Já foi feita a correção e agora estamos aguardando recursos financeiros", explicou.

Petrônio Barbosa disse que ontem três bolsas foram pagas e mais 18 terão os valores liberados nesta semana. "Os demais terão que aguardar, pois houve um corte no orçamento e temos que esperar a Funai disponibilizar os valores", frisou ao analisar que o acadêmico não deve desistir do curso devido ao atraso. "Acho isso uma falta de persistência por parte de quem desiste".

Ele confirmou que são pagas mensalmente 140 bolsas, sendo 68 do Insikiran e 70 bacharéis e licenciatura. Quanto ao critério de seleção dos bolsistas, o coordenador disse que a própria comunidade escolhe os indígenas a serem beneficiados. Explicou que existe um cadastro de espera para ser atendido pela bolsa. Conforme os alunos vão se formando, mais um da lista é beneficiado.

"O aluno indígena deve ter no mínimo 75% de aproveitamento do curso. Os acadêmicos do Insikiran recebem oitos meses durante o ano. Já os demais acadêmicos de vários cursos, de nove a dez meses no ano", explicou ao reconhecer que deve ser complicado depender exclusivamente da bolsa para se manter estudando.

http://www.folhabv.com.br/noticia.php?id=107269

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