O Globo, Especial, p. 1
23 de Jun de 2012
Acabou...
Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável termina com acordo criticado e deixa para mais adiante definições cruciais para o futuro do planeta, como metas comuns e financiamento para atingi-las
Após dez dias de reunião, encerrados por um emocionado discurso da presidente Dilma Rousseff, a Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, mais conhecida como Rio+20, terminou no início da noite de ontem deixando como legado um documento final criticado por diferentes setores - de ambientalistas a alguns dos chefes de Estado que participaram das discussões no Riocentro -, mas defendido pela ONU e pelo governo brasileiro como uma espécie de roteiro a partir do qual os diferentes países poderão conduzir suas ações de desenvolvimento sustentável.
As duas principais definições - quais exatamente são os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e como financiá-los - ficaram adiadas respectivamente para 2013 e 2014. Mas, mesmo para os críticos, a conferência não foi considerada tempo inteiramente perdido, já que promoveu a união de diferentes setores da sociedade civil, catalisada pelo caldeirão da Cúpula dos Povos e apresentou algumas iniciativas mais concretas, a mais notável delas o compromisso de redução de emissões de carbono assumido pelos prefeitos das maiores metrópoles do mundo.
Desde o dia 13, a Rio+20 também mudou a cara da cidade, com rostos e corpos vindos de todas as partes do globo reunidos no Riocentro, no Aterro do Flamengo, e no Forte de Copacabana, onde se encerrou ontem a exposição "Humanidade 2012", que, destoando das negociações oficiais, foi um retumbante sucesso de público e crítica.
Resultados mais concretos não aconteceram por restrições de alguns países em assumir compromissos de financiamento, com a desculpa da crise econômica global. Os EUA, que deveriam ter papel de protagonismo, tiveram participação discreta, simbolizada pela breve presença da secretária de Estado Hillary Clinton, que só veio para o último dia da conferência.
Em visão otimista, o secretário-geral da Rio+20, Sha Zukang, disse que a insatisfação é sinal de que algo de bom foi feito.
- Ninguém está feliz com o nosso trabalho, mas esse é o nosso trabalho. Muitos governos assumiram compromissos em Copenhague (em cúpula sobre mudanças climáticas, em 2009) e, até hoje, não cumpriram. Prometer é fácil, difícil é cumprir.
O Globo, 23/06/2012, Especial, p. 1
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