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03 de Nov de 2017
O abrigo em Pacaraima, cidade brasileira ao Norte de Roraima que faz fronteira com a Venezuela, começou a funcionar na noite desta quinta-feira (3). O local é um galpão reformado exclusivamente para receber os estrangeiros que fogem da crise no país governado por Nicolás Maduro.
Cerca de 178 indígenas Warao que estavam morando nas ruas de Pacaraima foram levados para o espaço, informou nesta sexta (3) a assessoria de comunicação da prefeitura do município. O abrigo tem capacidade para atender aproximadamente 270 pessoas.
Desde 2016, milhares de venezuelanos têm cruzado a fronteira com o Brasil por Roraima. Eles deixam o país em busca de emprego, comida, remédios e melhores condições de vida. Só este ano a Polícia Federal já recebeu mais de 12 mil pedidos de refúgio. O número é maior do que a registrada nos últimos três anos juntos.
O abrigo servirá para acolher venezuelanos indígenas da etnia Warao que entram no país por Pacaraima. A administração do espaço será de responsabilidade da prefeitura do município e contará com o apoio ONGs e do governo estadual.
A estrutura do abrigo, segundo a assessoria, conta com um redário instalado dentro do galpão, cinco barracas montadas do lado externo, banheiros de uso masculino e feminino, área com pias e espaço com grades que podem ser usadas como fogareiros.
Com o funcionamento do abrigo na fronteira, Roraima passa a ter três espaços para acolhimento de venezuelanos. Os outros dois funcionam em dois ginásios em Boa Vista. Um deles é para índios e o outro para não-índios.
A ideia da prefeitura é que o espaço funcione como uma casa de passagem, onde os estrangeiros receberão orientações sobre documentação de permanência no Brasil, além de atendimentos de saúde e serviços sociais.
"Hoje, se você vier em Pacariama, não vai encontrar nenhum indígena Warao que não esteja no abrigo. Eventualmente eles poderão ser vistos na rua, mas não em situação de rua, morando na rua. O abrigo é o suporte deles na cidade", explicou Mário Sérgio Medeiros, servidor da prefeitura de Pacaraima que acompanhou a estruturação do abrigo.
Na próxima terça-feira (7) está prevista uma solenidade para inaugurar o espaço. Devem participar da cerimônia representantes da ONU, ONGs e dos governos municipal e estadual.
Obras no abrigo
A assessoria da prefeitura de Pacaraima disse que ainda ocorrerão outras obras no abrigo, como a construção de uma cozinha, instalação de circuladores de ar e de novas barracas.
"Toda essa reforma ocorre da seguinte maneira: a prefeitura de Pacaraima entrou com o apoio de pessoal, a Acnur [agência da ONU para refugiados] com a mão de obra e Caridade com o material. O que temos agora foi de mais emergencial. A partir de agora vamos trabalhar para melhorar", frisou Medeiros.
Venezuelanos em Roraima
O governo do estado estima que 30 mil venezuelanos entraram em Roraima desde 2016. A imigração cresce conforme a crise na Venezuela se alastra nos setores de emprego, alimentos e medicamentos.
Conforme dados divulgados pela Polícia Federal em Roraima, a maioria dos venezuelanos que migram para Roraima são de Caracas, capital do país. Mais de 58% são homens e jovens entre 22 e 25 anos. A maior parte deles são estudantes (17,93%), seguidos por economistas (7,83%), engenheiros (6,21%) e médicos (4,83%).
Nas filas para entrada no Brasil, no município de Pacaraima, cidade fronteiriça à Venezuela, os imigrantes relatam que deixam o país vizinho motivados pela fome e o desemprego. Muitos deles deixam emprego e família para recomeçar a vida no Brasil.
Nas ruas de Boa Vista muitos deles estão em busca de trabalho. Nos últimos sete meses o Ministério do Trabalho no estado (MTE-RR) registrou um recorde de emissão de carteiras de trabalho a imigrantes venezuelanos. Nesse período foram quase 3 mil carteiras entregues a cidadãos venezuelanos. Em 2015 foram emitidos apenas 257 documentos, já em 2016 esse número saltou para 1.331.
http://www.folhago.com.br/artigo/237421/Abrigo-para-venezuelanos-comeca…
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