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Abin manda especialistas para Roraima

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: MARILENA FREITAS
29 de Out de 2004

Depois que os bispos da Igreja Católica pressionaram o Governo Federal a homologar o mais rápido possível a terra indígena Raposa/Serra do Sol, a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) - que trabalha em conjunto com as Forças Armadas - mandou membros do GTAM (Grupo de Trabalho Amazônico) verificar a situação em Roraima.
Numa reunião a portas fechadas ontem no auditório da 1ª Brigada de Infantaria de Selva, o grupo conversou com representantes da Marinha, Exército, Aeronáutica, Polícia Federal e de alguns órgãos federais, entre eles a Funai (Fundação Nacional do Índio), que expôs a atuação do órgão indigenista no Estado.
Acompanhe abaixo a entrevista com o coordenador do GTAM, coronel Gélio Fregapani, que está em Roraima desde do dia 24 tratando do assunto. Não foi permitida a presença da imprensa na reunião, inclusive para fazer fotografias.
FOLHA - O que é o grupo GTAM e qual a finalidade da visita no Estado?
FREGAPANI - Esse grupo é uma reunião de representantes da inteligência do Exército, Marinha, da Força Aérea, da Polícia Federal. Também inclui quem seja útil para o tema que se estiver estudando. Sempre são temas relativos à Amazônia e se destina a assessorar os conhecimentos precisos e corretos às várias Forças Armadas e ao próprio Governo Federal.
A finalidade da nossa visita ao Estado é vermos com profundidade máxima a realidade daquelas coisas que se têm conhecimento através de terceiros, dos programas relativos à Amazônia, às vezes de algum programa específico.
Mas também quando estudamos alguma coisa fora do específico vamos até ao fundo. É óbvio que nos interessa, queremos saber antes de mais nada, do interesse nacional. Assessoramos de forma que seja boa para a nação.
FOLHA - Quais coisas seriam essas?
FREGAPANI - Você vai compreender que sendo uma atuação de inteligência nem tudo pode ser falado, mas tenho certeza que você já deduziu qual o principal problema que viemos fazer aqui.
FOLHA - Posso arriscar e o senhor me confirmaria?
FREGAPANI - É possível que confirme com alguma expressão facial, mas com certeza vou manter alguma reserva.
FOLHA - Vocês vieram tratar do tráfico e tráfego de drogas?
FREGAPANI - É um problema sim, mas marginal ao que nós viemos ver a fundo. Um problema secundário em relação ao que viemos ver aqui.
FOLHA - Pode está relacionada à questão indígena?
FREGAPANI - Estou seguro que você já terá deduzido alguma coisa, mas vou parar essa informação por aqui.
FOLHA - Já que a missão é específica, ela tem haver com a homologação da Raposa/Serra do Sol?
FREGAPANI - Você deve compreender que não vou dar nenhuma reposta para essa sua pergunta.
FOLHA - Qual o período determinado dessa missão?
FREGAPANI - Estamos indo embora amanhã e estamos em função dessa viagem desde do dia 24, porém não foi toda em Boa Vista. Amanhã prosseguiremos mais uma parte, mas não em Boa Vista.
FOLHA - Quantos locais vocês visitaram aqui?
FREGAPANI - Manterei essa informação em reserva.
FOLHA - O que o senhor pode dizer que não é reservado?
FREGAPANI - Essa é a região mais rica do Brasil e do mundo, é essencial para o nosso país. Estamos querendo ver muito da influência estrangeira, o que estão fazendo, conseguindo, as conseqüências que poderia ter para o nosso país. A atuação que o nosso país deveria ter e que conseqüência poderia dar nos vários campos do poder, poder político, não partidário, que se refere aos objetivos e estratégias de uma nação.
Existe o Poder econômico, o militar, que, em princípio, apóia um desses poderes com a força, o psicossocial - que é o que vocês fazem, conduzir e formar opinião pública - e o poder da ciência e tecnologia. Mas todo esse poder tem dois componentes básicos: o potencial e a vontade. O poder é a multiplicação do potencial e da vontade.
Se o potencial foi muito grande, mas a vontade for zero, o poder é zero porque o potencial vezes zero tem zero como resultado. A nossa atuação é estratégica e informações estratégicas devem ter sempre uma comparação.
REPÓRTER DE TV - A grande mídia fala de base internacionais implantadas na Amazônia, a sua visita teria alguma ligação?
FREGAPANI - O nosso cliente, a quem deveríamos dar as informações, são os chefes das forças armadas e para o presidente da República. Não seria ético da minha parte dar uma informação para a imprensa antes de passar essas informações do que vimos, do que sabemos ou o que nós suspeitamos, antes dessa informação chegar a Presidência, que, aliás, são eles que darão a informação que desejarem ou que acharem conveniente.
FOLHA - Suponhamos que existam essas bases, em que implicaria na soberania nacional?
FREGAPANI - Me dá vontade de dizer tudo que penso, mas vou dizer alguma coisa do que penso. Suponhamos que exista uma porção de base ao redor e que essas bases, conforme as características, poderiam atuar interditando algumas vias de acesso, de forma que seria difícil carregar tropas para os locais onde fossem necessários, mas isso tudo é uma suposição.
FOLHA - O senhor acha que a grande mídia estar tergiversando quando publica essas notícias sobre bases internacionais?
FREGAPANI - Não existe nenhum alerta maior que a mídia. Dificilmente coloca alguma coisa que não possa provar.
FOLHA - Tem previsão para o GTAM retornar ao Estado após essa reunião?
FREGAPANI - Não.
FOLHA - Quem participa dessa reunião?
FREGAPANI - Parcialmente segredo, posso dizer os órgãos: Abin, Marinha, Exército, Força Aérea, Polícia Federal e outros convidados para a missão específica dos quais vou citar apenas a Embrapa.
FOLHA - O Incra foi convidado?
FREGAPANI - Não.
FOLHA - E a Funai?
FREGAPANI - A Funai nos expôs o que estava fazendo, sua atuação, o que estava fazendo e o que estava pensando.
FOLHA - Aqui na reunião?
FREGAPANI - Em vários locais, inclusive aqui.
FOLHA - O senhor falou que ao sair daqui de Roraima continua na região, então não é algo específico de Roraima, mas de toda a Amazônia?
FREGAPANI - Basicamente, principalmente de Roraima, mas depois do nosso relatório também vamos a outro problema específico.

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