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500 anos de Brasil

D.O Leitura, vol. 17, n.1, p. 1-8.
31 de mai de 1999

A reportagem remonta, através da utilização e da análise de mapas e de textos escritos por pesquisadores das humanidades, a construção do Brasil como um país propriamente dito. Os antigos mapas desenhados em Portugal, nos séculos XVI e XVII, privilegiavam os caminhos do mar. O comércio e a guerra eram, pois, o que mais pareciam importar à época. No significativo mapa de Cantino, a paisagem brasileira é representada com imensas árvores e três araras simetricamente dispostas na região em que, mais tarde, aportaram os navios comandados por Pedro Álvares Cabral. O acesso ao interior das terras brasileiras, no entanto, era um aspecto pouco explorado e gerador de medos. Em 1680, Johanes Van Keulen, informou aos seus leitores que os habitantes do país eram em sua maior parte cruéis e selvagens. Quase cem anos depois, Nicholas Bellin descreveria os brasileiros como "cruéis, vingativos e muito coléricos, ousados até a temeridade", destacando, entre outros elementos, a antropofagia, a feitiçaria e as pinturas corporais. Apesar dos massacres genocidas operados por Bandeirantes e da catequese praticada por jesuítas, às vésperas da Revolução Francesa, essas terras continuavam descritas de forma semelhante mais de dois séculos e meio após seu "achamento".

Segundo a reportagem, a disputa pelo território brasileiro começou muito antes da chegada dos europeus. Embora pesquisas demonstrem ocupações de mais de vinte mil anos atrás, a ocupação de boa parte do território ocorreu há cerca de cinco mil anos. A expansão geográfica possibilitou o surgimento de dois grandes troncos linguísticos, o Macro-Jê e o Macro-Tupi, que posteriormente se subdividiriam em diversos grupos. Os Tupi-Guarani, uma das famílias mais predominantes oriundas do tronco Macro-Tupi, foi uma dessas subdivisões. Com o passar do tempo, outra diferenciação surgiu: os Tupi e os Guarani separaram-se nesses dois polos. Os primeiros se dedicaram ao cultivo da mandioca amarga e os últimos, ao cultivo do milho. O rio Tietê era responsável por demarcar a fronteira informal entre essas duas populações seminômades.

Sobre a descoberta do Brasil, a reportagem traça abordagens sobre os habitantes nativos do país, apontando que essas pessoas só se tornaram "índias" a partir de seu trágico envolvimento com as nações europeias. Um panorama sobre a vida do escritor quinhentista Gabriel Soares de Sousa, uma das figuras que mais influenciou a historiografia brasileira, é feito para comentar o contexto colonial e relacioná-lo à presença indígena local. As descrições de Soares de Sousa fornecem uma imagem dos Tupinambá inseridos em um quadro colonial que os oprimia e, lentamente, os destruía.

Em seu final, a reportagem se debruça sobre as comemorações pelos 500 anos do país, informando o plano de encenação da Fundação da Vila de São Vicente, a primeira Vila do Brasil. A proposta foi aprovada durante a 40ª reunião da Comissão Nacional para o V Centenário. Os projetos aprovados deverão ser financiados através da Lei Rouanet e do mecenato.

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