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38% dos índios de MT contam com algum tipo de saneamento básico

Diário de Cuiabá-MT
Autor: Rosi Medeiros
24 de Mar de 2002

Dos 21 mil que vivem em Mato Grosso, 8 mil contam com alguma iniciativa em suas aldeias

Dos 21 mil índios que vivem em aldeias do Estado, oito mil contam com alguma iniciativa de saneamento básico coordenada pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Para reduzir os riscos de contaminação de doenças, uma das principais metas do trabalho tem sido levar água tratada a todas as aldeias.
O sistema de captação para distribuição de água potável nas comunidades indígenas é sustentado principalmente pela construção de poços artesianos e canalização de minas. "Procuramos evitar água do rio", disse o chefe da divisão engenharia de saúde pública da Funasa, Leonir Franscisco Gomes. A restrição se deve à alta contaminação dos rios. "Nós sempre realizamos os exames bacteriológicos, e só utilizamos a água do rio quando é de boa qualidade", explicou.
Segundo Gomes, uma das dificuldades no sistema de distribuição de água é a falta de energia elétrica nas aldeias. Um dos recursos utilizados é a energia solar. "O investimento inicial é caro, mas compensa porque não precisa de tanta manutenção", destacou. Outro problema enfrentado na execução das obras é o transporte de equipamentos, como máquinas para perfuração dos poços. "Para chegarmos até os kaipós, por exemplo, só de avião", disse Gomes. A aldeia é localizada na divisa do Mato Grosso com Pará.
A distribuição é feita através da instalação de chafariz nos centros das comunidades. "Se a água fosse instalada em cada casa, seria usada sem nenhum controle", explicou Gomes.
As aldeias ainda não contam com rede de esgoto. De acordo com o chefe da divisão de engenharia, as obras ainda não são necessárias por causa do baixo volume produzido pelas populações indígenas. "A solução no momento é individual com a construção de fossas sépticas", informou. Algumas aldeias, como Umutina em Barra do Bugre e Bakuera em Paranatinga, já contam com a instalação dos banheiros nas ocas. Em 1999, foram aplicados na aldeia Umutina R$ 29 mil na construção dos sanitários, atendendo 209 índios.
Saúde - A Funasa assumiu a assistência a saúde dos povos indígenas em agosto de 1999. Antes o trabalho era desenvolvido pela Funai. No ano passado, somente para desenvolvimento de obras voltadas para o saneamento básico nas comunidades, a Fundação aplicou R$ 1,1 milhão, atendendo 24 aldeias das 248 existentes.
Em 2000, R$ 151 mil foram empregados em cursos de formação de agentes indígenas de saneamento (AIS). São índios que recebem formação técnica para trabalhar na educação das famílias, sobre cuidados com higiene e saúde. E também na operacionalização do sistema de água, realizando pequenos reparos. As 248 comunidades indígenas são divididas em quatro distritos: Cuiabá, Xingu, Xavante e Kayapó. Em cada uma delas existem as equipes de saúde compostas por médicos, enfermeiros, odontólogo, AIS e auxiliares de enfermagem.

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