O Globo, Rio, p. 23
18 de Nov de 2004
1.500 animais abandonados em depósito do Ibama
Elaine Rodrigues
Inaugurado em dezembro de 2002 para receber espécimes apreendidos em todo o estado, o Centro de Triagem de Animais Silvestres, em Seropédica, foi abandonado pelo órgão que deveria zelar pela preservação da fauna: o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Na semana passada, depois de incontáveis atrasos no pagamento de seus salários, os tratadores dos 1.500 animais abrigados no Centro simplesmente largaram o trabalho. Embora estejam sendo alimentados pelos dois únicos técnicos lotados no local, como constataram ontem repórteres do GLOBO, os animais correm risco de contrair infecções e morrer por causa da sujeira que se acumula nos viveiros.
Polícia e Ministério Público federais abrem investigação
Ao levar animais apreendidos na semana passada para o Centro, a Polícia Federal tomou conhecimento da situação e decidiu investigar de quem é a responsabilidade pelo abandono.
- Vamos fazer perícia no local e tomar o depoimento das pessoas. Nosso receio é que aquilo se transforme num novo Bwana Park - disse ontem o chefe do setor de operações da Delegacia de Meio Ambiente da PF, delegado Lorenzo Pompílio da Hora, relembrando a tragédia do Bwana Park, em Guaratiba, onde, em 2002, morreram por desnutrição mais de 103 animais de várias espécies.
O Ministério Público Federal também decidiu investigar a situação para tomar as medidas judiciais cabíveis. Além do risco para os pássaros, que são 90% dos animais abrigados, a sujeira é uma ameaça para os macacos-prego - seus recintos só podem ser lavados por duas pessoas porque eles costumam atacar em bando. Antes do afastamento dos tratadores, as jaulas eram lavadas com cloro e desinfetadas para evitar a propagação de doenças.
- Estamos priorizando a alimentação dos animais. Isso nos toma quase o dia todo - afirmou a responsável técnica do Centro, Andréia Monteiro.
Ibama diz que está regularizando a situação
À noite, o diretor técnico da Gerência Executiva do Ibama no Rio, Luiz Fernando Moraes, informou que o órgão vai regularizar o pagamento dos tratadores com urgência.
Apesar de ter apenas dois anos, o Centro já enfrenta problemas de superlotação - algumas aves, como gaviões e carcarás, estão abrigadas em recintos improvisados, devido à falta de espaço.
O Globo, 18/11/2004, Rio, p. 23
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