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Xingu debate impacto de usina hidrelétrica

O Liberal - www.oliberal.con.br
07 de nov de 2008

Movimento promove seminário com a comunidade para discutir o assunto

Índios, agricultores, ribeirinhos, pesquisadores e Organizações Não-Governamentais (ONGs) irão discutir, a partir de hoje, os prováveis impactos que a usina hidrelétrica de Belo Monte poderá causar em Volta Grande do Xingu. O encontro, que tem a coordenação do movimento 'Xingu Vivo para Sempre', acontecerá nos dias 6, 7 e 8 deste mês, na Comunidade Ressaca; no dia 9, na vicinal 27 Sul; e no dia 10 será realizado um seminário em Altamira para estudantes e representantes da região.

Antônia Melo da Silva, uma das coordenadoras do Movimento Xingu Vivo Para Sempre, diz que esta será a primeira vez que as comunidades de Volta Grande terão direito a discutir os impactos socioambientais e suas conseqüências com profissionais independentes que entendem do assunto. Cientistas e pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA), do Instituto de Energia e Eletrotécnica da Universidade de São Paulo e do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa) estarão presentes no encontro. A região de Volta Grande do Xingu, localizada entre os municípios de Vitória do Xingu, Senador José Porfírio, Altamira e Anapu, além de possuir centenas de sítios arqueológicos, é uma das áreas de maior biodiversidade do planeta.

Em maio de deste ano, liderados por Kupatô Kayapó, 30 caciques Kayapo e lideranças sociais da região saíram do interior das florestas do Xingu e se aliaram a outros povos indígenas para declarar guerra aos interesses do governo, que novamente ameaça com a construção da Usina de Belo Monte. Em fevereiro de 1989, mais de três mil participantes, dos quais 650 índios, estiveram presentes no I Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, em Altamira. Liderados por Paulinho Payakan e Tuirá Kayapo, eles mostraram a importância da biodiversidade e sociodiversidade existente no Rio Xingu.

O governo federal, apoiado por empresas privadas ligadas ao setor eletro-intensivo das indústrias de alumínio, pretende construir com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) uma hidrelétrica em Volta Grande do Xingu. Segundo as Centrais Elétricas do Norte do Brasil (Eletronorte), a usina irá alargar uma área de aproximadamente 510 km quadrados entre rios, floresta e locais de grande fertilidade para a agricultura. Até o momento, o valor anunciado para construção é de de 7 bilhões de reais. Os números de geração de energia apresentados pelo governo vem sendo questionados por estudiosos do assunto, assim como os valores de construção da obra.

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