VOLTAR

WWF: consumo excessivo de carne está devastando o planeta

O Globo, Sociedade, p. 26
06 de Out de 2017

WWF: consumo excessivo de carne está devastando o planeta

O Globo

RIO - O contínuo e crescente consumo de carne vêm causando impacto devastador no meio ambiente, alerta um relatório divulgado ontem em Londres pela ONG WWF. O crescimento em grande escala do cultivo de grãos como soja para alimentar frangos, porcos e outros animais está causando forte pressão sobre os recursos naturais, que culmina na perda de territórios e espécies, diz a WWF.
De acordo com o documento intitulado "Apetite por destruição", a agricultura intensa e industrial também resulta em comida menos nutritiva: para conseguir o mesmo percentual de ômega 3 encontrado em um frango criado para consumo humano na década de 1970, são necessários, hoje, seis frangos.
A ONG alerta para a grande quantidade de terra necessária para o cultivo destinado ao alimento de animais e cita algumas das áreas mais vulneráveis, como a Amazônia, a bacia do Congo e os Himalaias.
A alta demanda por soja, rica em proteínas, pode ser constatada no prato da população europeia, onde a média de consumo do alimento é de 61 quilos por dia - a soja chega indiretamente à dieta graças à ingestão da carne de animais, como frango e salmão, e de produtos como queijo, leite e ovos.
PERDA DE BIODIVERSIDADE
Gerente de políticas alimentares da WWF, Duncan Williamson ressaltou que, se a demanda global da carne aumentar como o esperado, a produção de soja cresceria quase 80% até 2050.
- O mundo está consumindo mais proteína animal do que precisa e isso está causando um efeito devastador na vida selvagem. Uma taxa de 60% da perda de biodiversidade global está relacionada aos alimentos que ingerimos - explicou. - Muitas pessoas estão cientes de que a dieta baseada em carne tem impacto na água e na terra, e que isso contribui para o aumento da emissão de gases de efeito estufa. Poucos têm a consciência de que o maior questionamento deve ser ao cultivo para alimentar estes animais.
Williamson apontou uma alternativa para sustentar os animais sem aumentar os índices de desmatamento e o uso abusivo de água e energia: eles devem ser alimentados com algas e insetos.
Em entrevista ao jornal britânico "The Guardian", Kate Wolfenden, do Projeto X, uma ramificação do WWF, revelou que a alimentação alternativa sustentável ainda é bem mais cara do que a soja, mas espera que até 10% da indústria global possa se comprometer com ela até 2020.
Um levantamento encomendado pela ONU em janeiro já alertava que, devido à agricultura, a Humanidade já ultrapassou quatro dos nove limites definidos como fundamentais para manter o desenvolvimento sustentável.
- Precisaremos transformar todo o sistema alimentar - reconheceu Katherine Richardson, uma das autoras do relatório. - Estamos vivendo um momento de transição emocionante. Nós, como sociedade, reconhecemos a necessidade de gerenciar nossos recursos no nível global.
Diretor da ONG de defesa de animais Compassion in World Farming, Philip Lymbery reivindicou a realização de uma conferência da ONU sobre alimentação e agricultura.
- Os cientistas alertam que estamos enfrentando um evento de extinção em massa não visto desde os dinossauros. Grande parte da atual perda de biodiversidade é impulsionada pela forma como produzimos alimentos.

O Globo, 06/10/2017, Sociedade, p. 26

https://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/consumo-excessivo-d…

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.