24 Horas News-Cuiabá-MT
Autor: Eduardo Tramarim
21 de Jun de 2005
O ex-gerente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Mato Grosso Hugo Werle, preso pela Polícia Federal na Operação Curupira, admitiu ter doado R$ 5 mil para a última campanha eleitoral do PT. Werle, porém, garantiu que a operação foi declarada à Receita Federal. Ele atribuiu sua prisão à "postura crítica" que teria assumido em relação às políticas de desmatamento.
O ex-gerente voltou a negar, em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Biopirataria, a acusação de que enriqueceu ilicitamente, ao afirmar que seu patrimônio é compatível com a renda de R$ 3 mil do salário do Ibama; R$ 4,8 mil de uma gratificação federal; R$ 4 mil que recebe como professor da Universidade Federal do Mato Grosso; e mais outras rendas provenientes de aluguéis.
Werle classificou como "inepta" a atual administração do Ibama. Ele disse que o conselho gestor do órgão reúne-se até seis vezes por semana, mas não consegue tomar nenhuma decisão. Hugo Werle teve a prisão preventiva decretada em inquérito aberto pela Polícia Federal por formação de quadrilha e corrupção passiva.
Antecedendo o depoimento de Werle, o procurador da República em Mato Grosso, Mário Lúcio Avelar sustentou a tese de participação de funcionários do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em esquemas de corrupção.
Segundo o procurador, havia uma articulação nacional para o comércio ilegal de madeira em larga escala. Essa rede falsificava, adulterava, furtava ou roubava Autorizações para Transporte de Produtos Florestais (ATPFs) para justificar esse comércio pelo País. Avelar afirmou que pessoas envolvidas no crime ficaram muito tempo imunes. Ele acusou o gerente-executivo substituto do Ibama no Mato Grosso, Marcos Pinto Gomes, preso sob suspeita de corrupção e enriquecimento ilícito. Gomes, que é um policial federal cedido ao órgão ambiental, teria ficado oito anos no Ibama sem responder a nenhum inquérito.
Cerca de 50 madeireiras, como informou o procurador no Mato Grosso, extraíam madeira ilegal em área indígena. Os madeireiros corrompiam as lideranças indígenas, oferecendo carros, por exemplo, em troca de madeira. Avelar disse ainda que havia planos de manejo florestal aprovados pelo Ibama dentro de terra indígena, como o Parque Nacional Indígena do Xingu.
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