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Wai-Wai aprendem a beneficiar óleos vegetais em curso do Planfor

Gazeta de Santarém-Santarém-PA
19 de mar de 2002

O aproveitamento do potencial da floresta pelas comunidades indígenas, visando a comercialização de óleos vegetais, mas preservando o meio ambiente, é um dos objetivos da realização de cursos do Plano Nacional de Qualificação do Trabalhador (Planfor), na aldeia Mapuera, no município de Oriximiná, onde habita a tribo Wai-Wai. A primeira etapa do processo de qualificação profissional dos Wai-Wai foi encerrada na última quarta-feira (6), com a cerimônia de entrega de declaração dos cursos realizados.
Os cursos do Planfor na aldeia Mapuera foram ministrados por iniciativa do Governo do Estado, por intermédio da Secretaria Especial de Proteção Social (Seeps) e da Secretaria Executiva do Trabalho e Promoção Social (Seteps), e do Núcleo de Ação para o Desenvolvimento Sustentável (Poemar), após estudo realizado pelo Grupo Raízes. Os instrutores do Planfor repassaram aos Wai-Wai conhecimentos sobre educação ambiental e técnicas agrícolas, alimentação alternativa, organização social e beneficiamento de óleos vegetais.
Na área de educação ambiental e técnicas agrícolas, os índios aprenderam a recuperar áreas já degradadas em torno da aldeia, plantando árvores frutíferas, para que a reposição da cobertura vegetal aconteça de forma natural, a partir das próprias sementes dos frutos. No curso de alimentação alternativa, ministrado pelo Poemar, as índias aprenderam a aproveitar partes de animais e de vegetais de valor nutritivo, como a casca e o talo da banana.
Na reserva Mapuera vivem 1.082 índios. A caça e a pesca ainda garantem a alimentação da maioria. As mulheres são responsáveis pelo cultivo de roças, enquanto os homens também fazem artesanato e tapeçaria.
Óleos - O curso de beneficiamento de óleos de frutos como o tucumã, bacaba, patauá, buriti, castanha-do-pará, macuco e ucuúba teve a participação de 25 índios. Segundo o Luiz Moraes, executor do Poemar, esses frutos são abundantes na região da aldeia Mapuera, o que facilitou a execução das atividades, entre elas a identificação botânica.
Nas primeiras aulas para a extração de óleo foi usado o tipiti, espécie de prensa artesanal usada para retirar o sumo da mandioca, visando a fabricação de farinha. No encerramento do curso, os alunos receberam uma prensa industrial, que facilitará a extração de óleos de polpas e amêndoas.
Luiz Moraes informou que os produtos feitos na aldeia Mapuera têm mercado garantido em Oriximiná, mesmo em pequena escala. Ele disse que há uma empresa incubada na Universidade Federal do Pará em condições de adquirir toda a produção de óleos dos Wai-Wai, com autorização prévia da Fundação Nacional do Indio (Funai).
O índio wai-wai Marciano Oliveira Souza, 31 anos, casado, cinco filhos, declarou que após o curso, "aprendeu a conhecer os frutos". Segundo ele, a aldeia precisa cada vez mais de cursos dessa antureza, "que possam trazer recursos para a comunidade".
Cidadão-Pará - Mais de 200 índios da tribo Wai-Wai, em Oriximiná, terão acesso, a partir das 16 horas desta quarta-feira,13, aos serviços de emissão de carteira de identidade, realizados através do Projeto Cidadão-Pará. O projeto é uma iniciativa do Governo do Estado, através da Empresa de Processamento de Dados do Pará - Prodepa, que consiste em elevar a qualidade de vida da população ribeirinha, por meio da prestação de serviços de cidadania e tecnologia, realizados dentro de um barco equipado com uma rede de computadores interligados via satélite. O atendimento acontece no cais do município de Oriximiná.

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