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Wagner Rossi, da Agricultura, vira 'emblema' da crise

OESP, Nacional, p. A4
28 de Mai de 2011

Wagner Rossi, da Agricultura, vira 'emblema' da crise
Ministro peemedebista teve cargo ameaçado após a derrota do Planalto na votação do Código Florestal na Câmara

Christiane Samarco e Célia Froufe

O cerco do Planalto ao ministro da Agricultura, o peemedebista Wagner Rossi, foi o sintoma mais explícito do embate entre PT e PMDB durante as sessões de discussão e votação do Código Florestal na Câmara. O ministro, como revelou ontem a colunista do Estado, Dora Kramer, chegou a ter a cabeça pedida pelo ministro Antonio Palocci em telefonema ao vice-presidente Michel Temer, que é do PMDB.
Mais de uma vez, ao longo das negociações, as lideranças do PT e assessores da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, citaram o ministro da Agricultura como um "defensor radical" dos ruralistas e "empecilho" para chegar a um consenso com os ambientalistas. Em conversas com jornalistas, mas sempre em off (sob anonimato), esses assessores espalhavam que havia um descontentamento do Planalto com Wagner Rossi - ele foi uma indicação de Temer.
No dia 12, uma onda de boatos deu como certa a demissão do ministro da Agricultura. O gabinete de Rossi foi bombardeado por uma bateria de telefonemas de jornalistas querendo confirmar a demissão.
Algumas perguntas foram acompanhadas da "informação" com a lista das razões da demissão: 1) Rossi estava sendo investigado por conta de decisões tomadas quando era presidente da Conab; 2) Rossi cuidava mais dos interesses do PMDB do que da Agricultura; 3) Rossi ficava pouco em Brasília; 4) Rossi estava mais atrapalhando do que ajudando nas negociações do Código Florestal.
"Bandidos". Rossi discutiu com lideranças do partido o cerco político ao cargo e se queixou, nas reuniões internas do governo - na presença, inclusive, de assessores do Planalto e do Ministério do Meio Ambiente -, do fato de o debate, em torno do Código Florestal, "ter igualado os agricultores a bandidos desmatadores, a traficantes de madeira ilegal".
O ministro reclamou também do fato de os ambientalistas terem tentado "dar um golpe nos trabalhos do Congresso". "Não queriam reconhecer que havia progressos para o meio ambiente e a agricultura no novo Código Florestal e, por isso, tentaram pura e simplesmente barrar a votação", queixou-se, alegando que a lei prevê o cadastramento de propriedades, a recomposição florestal e penalidades fortes para quem não cumprir as regras.
Wagner Rossi assumiu a pasta em março de 2009, quando o então ministro Reinhold Sthephanes deixou o cargo para disputar uma vaga na Câmara. Antes, marcou sua gestão no comando da Companhia Brasileira de Abastecimento (Conab) pelo loteamento de cargos entre aliados políticos.
Ele integrou a Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional e o Grupo Gestor do Programa de Aquisição de Alimentos do Ministério do Desenvolvimento Social. Entre 1999 e 2000, durante o governo Fernando Henrique, também por indicação do PMDB, comandou a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), administradora do porto de Santos.

OESP, 28/05/2011, Nacional, p. A4

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110528/not_imp725000,0.php

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