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10 de Fev de 2012
Super achado com três sítios arqueológicos em Ilhabela traz à tona diversidade de elementos de sepultamento indígena
Diversos elementos em um grande sítio arqueológico foram encontrados nesta quarta-feira (8/2), na Ilha dos Búzios, que integra o arquipélago de Ilhabela, durante uma vistoria. O Instituto Histórico Geográfico e Arqueológico de Ilhabela (IHGAI) mantido pela Prefeitura por meio da Secretaria de Cultura, recebeu uma informação de que o sítio arqueológico na Ilha dos Búzios era alvo de curiosos e estava sendo destruído por escavações não autorizadas. Imediatamente, a arqueóloga Cintia Bendazzoli, que coordena o Projeto de Gestão e Diagnóstico do Patrimônio Arqueológico de Ilhabela (GEDAI), se deslocou para o local indicado acompanhada de um representante da Secretaria de Meio Ambiente, da Secretaria de Turismo e também do Parque Estadual de Ilhabela.
Um morador local auxiliou a equipe a chegar ao sítio arqueológico e confirmou a presença de curiosos nos dias que antecederam a chegada da equipe. Segundo a arqueóloga, trata-se de um sítio arqueológico indígena pré-colonial localizado dentro de um abrigo sob rocha e que estava na iminência da destruição completa tendo em vista o volume de interferências nos estratos arqueológicos que foi constatado.
No local foram identificados dois sepultamentos indígenas acompanhados de oferendas funerárias: potes de barro, artefatos feitos em pedra polida e grande quantidade de coquinhos utilizados por essas populações como alimento. Apesar do ótimo estado de preservação dos ossos, as intervenções anteriores acabaram por remexer na estrutura original dos sepultamentos, havendo vestígios arqueológicos espalhados por toda a área. Devido à necessidade emergencial de medidas de preservação, a arqueóloga procedeu à remoção dos esqueletos e dos artefatos para evitar maiores danos ao patrimônio arqueológico de Ilhabela.
As pesquisas científicas realizadas pela arqueóloga em todo o município através do Projeto GEDAI, têm contribuído para o entendimento dos processos de ocupação do arquipélago nos períodos colonial e pré-colonial, desenvolvido ações de preservação, além das educativas e culturais. "Infelizmente não é raro encontrarmos locais parcial ou totalmente destruídos por ações interventivas feitas por curiosos ou por caçadores de tesouros, que ainda não conseguiram compreender que a maior riqueza de Ilhabela é sua natureza, sua história e seu povo" afirma a arqueóloga. Vale lembrar que os sítios arqueológicos são protegidos por ampla legislação e que a intervenção não autorizada pelas autoridades competentes nestes locais caracteriza crime contra o patrimônio e passíveis de penas constantes nas leis. Qualquer pessoa que localize achados de natureza histórica ou arqueológica deverá comunicar o IHGAI ou a Secretaria de Cultura para que se possa realizar a vistoria, cadastramento e pesquisas científicas nesses locais.
Além da Toca da Caveira, nome dado ao sítio arqueológico recém-descoberto, foram cadastrados mais dois outros sítios durante a etapa, que serão alvos de pesquisas futuras. O cadastramento dos sítios na Ilha dos Búzios deverá continuar ainda em fevereiro e espera-se que localize mais sítios arqueológicos de igual importância. Junto com essas ações estão previstos trabalhos de educação patrimonial junto à comunidade para evitar que novas interferências nos sítios ocorram, como se viu neste caso.
Segundo a arqueóloga, os achados podem revelar a presença de uma população indígena diferente dos já conhecidos sambaquieiros na Ilha dos Búzios, da qual ainda não se tinha notícias. O trabalho que se segue é laboratorial e espera realizar datação de Carbono 14 para identificar a época em que viveram os esqueletos humanos encontrados. "Não se tratam de piratas, nem de tesouros de piratas de qualquer natureza, mas sim, populações indígenas que dominaram a costa antes do descobrimento do Brasil e da consequente colonização ocorrida em seu território", explica Cintia.
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