OESP, Cidades, p.C6
04 de Out de 2005
Vigilância fecha 14 poços com água contaminada
Cetesb apontou presença de substâncias cancerígenas em Jurubatuba, zona sul
Marcelo Godoy
A Vigilância Sanitária Municipal lacrou ontem 14 poços com água contaminada em 9 empresas na região de Jurubatuba, na zona sul de São Paulo. Laudos da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) haviam constatado na semana passada a presença de agentes clorados na água.
O produto é tóxico e considerado cancerígeno. Ele pode afetar rins, fígado e sistema nervoso central. Além disso, segundo o gerente da Vigilância de Saúde Ambiental da Prefeitura, Carlos Ferreira de Aguiar Junior, pode ser absorvido em contato com a pele ou inalado, por ser volátil.
A ação dos fiscais começou de manhã e só terminou às 18h30. Houve surpresas, como a localização de mais poços do que o esperado pela Vigilância - havia uma empresa com três e outra com quatro poços. Eram três grupos de fiscais, que também verificaram se as empresas estavam obedecendo à notificação enviada pela Vigilância Sanitária na sexta-feira, proibindo qualquer tipo de uso da água dos poços.
Nas empresas fiscalizadas foram encontradas bombas desmontadas, o que indicava a desativação dos poços. Os fiscais verificaram ainda que as indústrias estavam usando água da rede da Sabesp.
A multa para quem desobedecer à ordem da Vigilância é de R$ 100,00 a R$ 500 mil. Os infratores também estão sujeitos a outras sanções, como interdição da empresa e a responsabilização criminal pelo fato de expor seus funcionários a risco de vida.
Uma das empresas visitadas, a Baxter Hospitalar, informou que já não estava usando a água de seus poços artesianos desde 27 de junho. Naquela data, a indústria foi informada sobre a contaminação da água.
Outra empresa, a Camargo Corrêa Cimentos, afirmou em nota que deixou de usar água do poço logo após receber comunicado da Vigilância Sanitária, na sexta-feira à noite. A usina de concreto passou a utilizar água levada até a região de Jurubatuba em caminhões-pipa.
A Camargo Corrêa também garantiu na nota que no processo de produção do concreto não usa "qualquer substância que possa ter dado origem ou contribuído para a mencionada contaminação".
Cetesb interditou 10 poços em agosto
ANÁLISE: Em 22 de agosto, a Cetesb e a Vigilância Sanitária anunciaram que havia um foco de contaminação em um galpão da Gillette, na Avenida Eusébio Stevaux. Os agentes químicos identificados podem causar lesões no fígado e câncer. Sete poços artesianos em indústrias próximas foram interditados para análise de contaminantes. O terreno tinha sido usado pela Duracell, fabricante de pilhas, de 1960 até 1996, ano em que foi vendido para a Gillette. Três dias depois, três poços artesianos do Shopping SP Market, em Jurubatuba, foram lacrados pela Vigilância Sanitária e as outorgas, cassadas pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee). Também foi fechada a estação de tratamento do shopping, considerada ineficaz para descontaminar a água dos poços artesianos.
Aos moradores da região de Interlagos e Santo Amaro foi recomendado que não usassem água de poços subterrâneos sem antes pedir à Cetesb uma análise.
Havia suspeita de que poços das fontes Petrópolis e Cristalina também estivessem contaminados. A Vigilância Sanitária soliciou uma nova análise e constatou, no mês passado, que elas estão próprias para consumo.
OESP, 04/10/2005, p. C6
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