Funai-Brasília-DF
20 de Jan de 2005
Com objetivo de democratizar o acesso ao ensino superior público do país de populações indígenas, está sendo realizado o quarto vestibular unificado para estudantes indígenas, na Universidade Estadual de Maringá (UEM). As 23 vagas foram disponibilizadas pelas seis universidades estaduais e uma Federal do estado do Paraná. Participam do vestibular cento e vinte estudantes indígenas do Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso, Amazonas e Pará.
Na terça-feira, dia 18, foi feita uma avaliação de Língua Portuguesa Oral. Segundo os coordenadores do vestibular, deve observar como eles lêem e interpretam na língua portuguesa, pois os kaingang, por exemplo, só aprendem o português quando entram na escola.
Um dos candidatos que concorrem a uma vaga para o curso de Administração é o indígena Neuli Kasyrygue kaingang, 21 anos, eleito no último pleito como vereador do município de Nova Laranjeiras (PR), e representa os povos indígenas da Aldeia Rio das Cobras. Para ele, o vestibular é importante para a comunidade indígena que nos últimos anos teve um progresso muito grande em quase todos setores: - "essa preocupação das universidades com as comunidades indígenas, criando vagas é um incentivo para os jovens que já podem ter uma visão de futuro: uma graduação, abrindo mais o leque para as comunidades indígenas estudarem" destacou o estudante. E confiante, já adianta: "se for aprovado não vou desistir da carreira política, vou conciliar com vida acadêmica, pois não temos mais tempo a perder" conclui.
A responsável pelo setor de Educação, da Administração Regional da Fundação Nacional do Ìndio em Londrina, Célia Maria Simões diz que o vestibular para indígenas tem que ser diferenciado e, aponta uma das razões mostrando duas jovens indígenas que vieram fazer o vestibular trazendo os filhos. "È isso que os torna diferentes, é louvável a ação das universidades do Paraná, só que precisam ter mais experiência para receber esse público que é totalmente diferente do que eles recebem há mais de quarenta anos", destaca. Hoje nas universidades estaduais do Paraná estão matriculados e freqëntando vários cursos de graduação, 33 acadêmicos pertencentes as etnias Kaingang e Guarani. A partir de março serão mais 23.
Essa parceria entre Funai e Universidade Federal do Paraná (UFPR), foi concretizada dia 17 de novembro, quando a Coordenadora-Geral de Educação, Maria Helena Fialho, recebeu o Reitor da Carlos Augusto Moreira Junior, que veio a Brasília especialmente para propor essa parceria, objetivando a inclusão de indígenas de outros estados na Universidade Federal do Estado. Concluindo então, que os índios habilitados, do Estado do Paraná, ou de outras unidades da Federação, terão apoio acadêmico psico-pedagógico implementado pela UFPR, em conjunto com a Funai, que constituirá comissão especificamente para esse fim
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