OESP, Economia, p. B10
21 de Fev de 2007
Venda de orgânicos já movimenta US$ 39 bi
Alimentos sem agrotóxicos estão em alta na Europa e EUA
Michael Hogan
NUREMBERG, ALEMANHA
A empresa de Anne Faika vende produtos alimentícios orgânicos semanalmente para 14 supermercados na cidade alemã de Hamburgo. Quando a empresa foi criada, em 1990, tinha apenas um cliente.
Anne está à frente de uma indústria global que em 2006 alcançou faturamento de aproximadamente US$ 39 bilhões - no ano anterior, foram US$ 33 bilhões em vendas. "A demanda por comida orgânica é excelente. As pessoas perderam a confiança na agricultura convencional", diz Anne. "Os consumidores querem fazer algo pelo seu próprio bem, ao comprar comida sem venenos químicos."
Essa explosão pôde ser claramente vista na última edição da Biofach, a maior feira de orgânicos do mundo, realizada anualmente em Nuremberg, Alemanha. Este ano o evento, que terminou no último domingo, atraiu 2,5 mil expositores de 80 países, inclusive do Brasil.
A presença astuta dos profissionais de marketing das empresas, vestidos em elegantes ternos, estão ajudando a mudar a imagem dos produtores de orgânicos. "Comida orgânica não diz respeito somente a gente de barba e sandálias. É um negócio sério", disse Mariann Fischer Boel, representante da Comissão de Agricultura da União Européia, na abertura da Biofach.
De fato, a produção de orgânicos saiu de nichos de mercado para os grandes supermercados na Europa e nos EUA, o que fez com que o segmento crescesse em faturamento e volume. "A explosão que vemos agora é causada por uma combinação da perda de confiança na produção convencional de alimentos e o impressionante aumento da oferta de orgânicos nas grandes redes de varejo", diz Toralf Richter, consultor de marketing para produtos orgânicos.
LUCROS
Para 2007, a expectativa é de que o mercado de orgânicos cresça mais US$ 6 bilhões e chegue a US$ 45 bilhões - sendo que 97% desse mercado continuará concentrado nos EUA e Europa. "Esse crescimento deve continuar porque as pessoas estão buscando comida saudável, mesmo não tendo ocorrido nenhum escândalo envolvendo a indústria alimentícia recentemente", diz Helga Willer, do Instituto de Pesquisas da Agricultura Orgânica da Suíça.
O analista de mercado Kai Kreuzer diz que os grandes varejistas alemães fizeram uma forte aposta nos produtos orgânicos no ano passado. Ele estima que, só na Alemanha, os supermercados venderam 2 bilhões de comida orgânica em 2006, contra 1,6 bilhão em 2005. O mercado alemão para orgânicos como um todo deve chegar a 4,5 bilhões (US$ 5,9 bilhões).
A rentabilidade dos produtos orgânicos frente aos convencionais também explica o recente sucesso da comida natural. "As margens de lucro do varejo sobre os produtos convencionais é de cerca de 2%. Não sabemos exatamente qual é a margem do lucro sobre os orgânicos, mas é consideravelmente maior", diz Kreuzer.
A ONG ambientalista Greenpeace e outros grupos de pressão têm mostrado continuamente que por trás dos preços baratos das frutas e legumes convencionais havia altos níveis de pesticidas, o que trouxe um certo constrangimento aos supermercados e afetou as vendas.
OESP, 21/02/2007, Economia, p. B10
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